Descrição de chapéu Crítica

IMS exibe filme que inspirou Del Toro para fazer 'A Forma da Água'

Diretor mexicano bebeu na fonte de 'O Monstro da Lagoa Negra'

Kay (Julie Adams) se assusta com a presença do monstro
Kay (Julie Adams) se assusta com a presença do monstro - Divulgação
SÉRGIO ALPENDRE

No rastro da estreia do badalado "A Forma da Água", de Guillermo del   Toro, com suas 13 indicações para o Oscar, o Instituto Moreira Salles teve a boa ideia de resgatar um dos filmes que o inspiraram: "O Monstro da Lagoa Negra", de 1954.

"A inspiração para 'O Monstro da Lagoa Negra' veio de um mexicano que contou uma lenda sobre um homem-peixe brasileiro a um produtor americano. No fim, coube a mim, outro mexicano, a tarefa de fazer as pazes com a mesma história", disse Del Toro em entrevista recente à Folha, revelando que deu um final diferente à trama clássica.

Dirigido por Jack Arnold para a Universal, o filme explorava a terceira dimensão, em moda naquela época, como parte de uma tentativa de capturar o público de cinema perdido para a televisão.

Esqueçam o homem vestido com roupa de borracha que se passa por monstro, e as inúmeras vezes em que as pessoas vão em direção da câmera para acentuar o efeito 3D. O que está em jogo neste filme é algo bem maior.

Um veterano cientista descobre, na Amazônia brasileira, uma mão fossilizada de um animal nunca visto. Ele então arregimenta uma equipe para buscar mais indícios dessa vida de outros tempos.

Dão de cara com o homem-peixe que, ameaçado, trata de matar todos que vê pela frente, menos a bela Kay (Julie Adams), pela qual se apaixona. É a clássica história da bela e da fera, se quisermos, mas há muito mais em jogo.

É interessantíssima, por exemplo, a rivalidade entre os cientistas mais jovens, tanto pela liderança do grupo quanto pelo coração da única mulher entre eles.

David (Richard Carlson), o namorado de Kay, apresenta-se como sensato e não quer matar o monstro, nem arriscar mais vidas quando sente que o perigo é demasiado. Mark (Richard Denning), apaixonado por Kay, é aventureiro, ousado e ambicioso. Quer ir adiante com a descoberta a todo custo.

Arnold parece tratar David como o mocinho e Mark como um quase vilão, alguém que, de alguma forma, pode botar a missão em risco. Mas perceberemos logo que as coisas não são tão simples. Mark terá oportunidade para mostrar seu caráter, enquanto David revelará suas falhas.

No fundo, a mais consciente do que se passa é Kay. Não por acaso, é quase sempre ela que percebe a presença do monstro, ao olhar para trás, por exemplo, quando todos estão atraídos por outra coisa.

No mais, é bom encarar o "O Monstro da Lagoa Negra" como uma antecipação da obra-prima de Arnold, "O Incrível Homem que Encolheu" (1958). Desse modo podemos pensar nas implicações que o filme de 1954 levanta sobre nossa presença no mundo e nosso papel dentro de uma determinada sociedade.

O MONSTRO DA LAGOA NEGRA (3D)

  • Quando sáb. (3), às 21h, qui. (8), às 22h, sáb. (10), às 22h, e dom. (18), às 19h; R$ 30 (R$ 15, meia)
  • Onde Instituto Moreira Salles, av. Paulista, 2.424, tel. 2842-9120
  • Classificação livre
  • Elenco Julie Adams, Richard Carlson e Richard Denning
  • Produção EUA, 1954
  • Direção Jack Arnold

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