Descrição de chapéu cinema festival de cannes

Arábia Saudita reabre salas e busca em Cannes um lugar no mercado

Sauditas buscam investidores para construir cinemas e produzir filmes no país

Sauditas se preparam para assistir "Pantera Negra" na Arábia Saudita - AP
Guilherme Genestreti
Cannes (França)

Num estande próximo a um ancoradouro onde mulheres de biquíni torram sob o sol em seus iates, um sujeito com lenço islâmico serve tâmaras e café árabe numa jarra folheada a ouro.

Nesta edição do festival, a figura mais assediada talvez não seja uma estrela, mas um país —a Árabia Saudita.

O reino ultraconservador, que, por 35 anos, proibiu o funcionamento de cinemas em seu território, suspendeu o veto no ano passado e teve sua primeira sessão pública há menos de um mês, com uma exibição do blockbuster "Pantera Negra".

Como parte da política de modernização do país encampada pelo príncipe herdeiro Mohammad bin Salman, os sauditas participam de Cannes de olho em atrair investidores estrangeiros para construir salas no país e produzir filmes ali.

No estande que montaram perto do píer, expõem pôsteres com os diferentes tipos de locação oferecidos (montanhas, desertos...) e paparicam os potenciais investidores com iguarias árabes.

"Estamos abertos para negócios", anunciou Ahmad Al-Mezyed, representante do governo o festival, na última sexta (11), durante evento realizado num hotel de Cannes, enquanto exibia a diversidade de cenários que o país pode oferecer.

Os sauditas esperam também criar 2.000 salas de cinema até 2030 (dois terços do que o Brasil tem hoje).

Cadeias de cinema, claro, estão de olho no potencial de um país com 32 milhões de habitantes. Até o ano passado, era comum que os abastados locais viajassem até Dubai e Bahrein para ver filmes.

Os sauditas também montaram uma campanha agressiva para atrair produtores estrangeiros: anunciaram 35% de abatimento de impostos para os que usarem a Arábia Saudita como locação e até 50% de desconto sobre a contratação de trabalhadores locais.

Mas, em conversa com a imprensa e o mercado, os sauditas não conseguiram responder como vão conciliar essa abertura comercial com a garantia dos direitos humanos, ainda incipiente no país de maioria sunita.

Mulheres só serão autorizadas a dirigir carros a partir de junho, e qualquer relação entre pessoas do mesmo sexo ainda é proibida.

Foram assuntos que vieram à baila enquanto Al-Mezyed dava sua palestra. O representante saudita desviou dos temas propostos, afirmando que não queria que o encontro virasse uma discussão política.

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