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Moda

Semana de Londres embrulha monarquia pop e moda vitoriana em desfiles

Evento mostrou descolamento da cartela de tons sóbrios e coloriu os looks dos fashionistas

Pedro Diniz
Londres

De todas as cidades da moda, Londres se orgulha de ser considerada a capital da vanguarda criativa e manter a tradição de berço da alfaiataria com embalagem moderninha. Por isso, os desfiles de sua semana de moda costumam apresentar o que há de mais fresco no território da criação, um guarda-roupa mais descolado dos relatórios de tendências.

Nesta temporada verão 2019, que terminou na terça-feira (18), os desfiles mostraram um descolamento da cartela de tons sóbrios, que enche as ruas nos períodos de chuva, para assumir a luz do sol que iluminou a semana e coloriu os looks dos fashionistas montados.

A nova fase da Burberry trouxe a elite da moda de volta à cidade, extasiada também com o retorno da ex-Spice Girl Victoria Beckham à sua cidade natal, fato comemorado com manchetes nas capas dos jornais ingleses.

Mas a temporada reservou surpresas interessantes, como a coleção de Christopher Kane, filho da semana londrina que despontou na última década como referência da moda urbana combinada a clássicos do estilo britânico.

Nesta coleção, Kane emula o meio entre o sexy boudoir e a roupa da rua, com moletons usados em conjunto com peças que remetem à lingerie.

Blocos de vestidos rendados, construídos com linhas curvilineas na altura do tronco modelaram o corpo das modelos.

Meio rock'n roll, meio romântico, ele mistura estampas que parecem saídas de um álbum de banda punk com propostas de saias plissadas, incluindo pontos de cor no corte das barras.

Talvez uma das mais britânicas das grifes modernas, a Erdem, que figura na lista de prediletas da realeza, apostou numa mistura de referências dos looks femininos da época vitoriana com o guarda-roupa masculino.

Com base na história das personagens Stella e Fanny, dois homens que viviam como mulheres na Inglaterra de 1860, o estilista Erdem Moralioglu pincelou poás em terninhos justos e jogou flores em vestidos camisola.

Provocação ao conservadorismo que ameaça liberdades individuais, a coleção foi apresentada na National Portrait Gallery, lugar que abriu as portas para a pesquisa do designer.

A mesma ideia de contravenção permeou o desfile da MM6, segunda marca da Maison Margiela. O estilista John Galliano recupera o look camisola do passado e o remodela com viés trash punk.

Jaquetas jeans e camisas com mangas enormes receberam acabamento das roupas pomposas da corte, cheias de drapeados e botões por todas as extremidades. Os tecidos pareciam saídos de um armário cheirando a naftalina, desbotados, com aparência envelhecida.

Coletes de fraque combinados a saias longas e blazers compuseram o verão 2019 da marca, que ainda lançou moletons de efeito acetinado estampados com o nome da grife.

Envolta em um verniz monárquico, fruto da curiosidade do mundo com uma coroa que inspirou até série de TV, a semana de moda de Londres evolui no calendário como uma caricatura das tribos urbanas, embrulhando crítica social e história em embalagens elegantes.

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