Descrição de chapéu Análise

Sem graça e sem rumo, 'Vídeo Show' pode não ter salvação

Atração vespertina da Globo vive crise de audiência há quase uma década

Joaquim Lopes e Sophia Abrahão se abraçam no cenário do programa Vídeo Show
Joaquim Lopes e Sophia Abrahão, apresentadores do 'Vídeo Show' - Artur Meninea/Gshow
Tony Goes
São Paulo

​O "Vídeo Show" surgiu em 1983 como uma maneira barata de preencher uma hora de programação. Era uma sucessão de reprises, que nem cenário tinha. O apresentador ficava ao lado de uma ilha de edição e anunciava os vídeos (daí o nome da atração) que seriam exibidos: um trecho de um capítulo de novela do dia anterior, um musical antigo, uma reportagem histórica.

A fórmula fez sucesso e, de semanal, o "Vídeo Show" passou a diário. Também começou a produzir material próprio. Surgiram quadros como "Por Onde Anda?", que mostra o paradeiro de artistas sumidos da mídia, ou "Falha Nossa", com erros de gravação.

O programa teve seu auge na década de 1990, quando era apresentado por Miguel Falabella e Cissa Guimarães. Anos de domínio da Globo: a TV paga engatinhava, as concorrentes diretas eram pífias e a internet, rudimentar. E o público tinha um enorme interesse pelos bastidores da maior emissora do país.

Miguel Falabella está no cenário do programa Vídeo Show com o mascote da Olimpíada de 2000
Miguel Falabella durante apresentação do 'Vídeo Show', em 2000 - Reprodução

Tudo isso mudou na década seguinte. A competição se acirrou e a Globo perdeu parte de seu poder, apesar de se manter na liderança. E um fenômeno se confirmou: toda vez que caem os números do horário nobre do canal, despencam os do "Vídeo Show".

Diversas mudanças foram feitas no programa. Eu participei de uma delas. Fui um dos roteiristas da fase em que o "Vídeo Show" foi comandado por Zeca Camargo. Mas a proposta do então diretor de núcleo Ricardo Waddington não foi bem: um talk show com plateia, banda e convidados, e um certo clima noturno que não combinava com o horário vespertino. 

Boninho, que reinou sobre o programa entre 2009 e 2013, retomou o controle em 2015, e introduziu uma novidade que agradou público e crítica: Monica Iozzi, que havia deixado o "CQC" (Band) pela Globo, assumiu a bancada ao lado de Otaviano Costa.

O sucesso durou pouco. A apresentadora pediu para sair um ano depois, disposta a focar na carreira de atriz. E, desde então, o "Vídeo Show" nunca mais se firmou. Hoje é raro o dia em que não perde para "A Hora da Venenosa", quadro de fofocas apresentado pela colunista Fabíola Reipert no "Balanço Geral" (Record).

 
A configuração atual do programa é claramente de transição. O ator Joaquim Lopes, que participou da bancada entre 2016 e o início deste ano, foi trazido de volta. Otaviano Costa saiu para comandar sua própria atração, que estreia em janeiro. Sophia Abrahão continua, mas as três ex-BBB que vieram dividir os trabalhos com ela, em julho passado —Fernanda Keulla, Vivian Amorim e Ana Clara Lima— foram relegadas a papéis secundários.
 
Mas o maior problema do "Vídeo Show" nem são as sucessivas trocas de apresentador. É de pauta, mesmo. O programa está chato e sem assunto. As entrevistas são totalmente chapa-branca, sem nenhuma pergunta instigante. Os “making of” são de novelas de pouca repercussão (a Globo não está em boa fase na dramaturgia). E não há espaço para alfinetadas: como falar mal, mesmo que de leve, do próprio elenco da emissora?

O programa ainda corre atrás das redes sociais, mostrando postagens anódinas feitas por famosos. Promove brincadeiras bobas entre nomes do terceiro escalão. E se vê esvaziado por programas da própria Globo, como Mais Você ou Encontro com Fátima Bernardes, que abusam da presença dos contratados da casa.

De novo, há mudança no horizonte. O "Vídeo Show" agora é da responsabilidade de Mariano Boni, que vem do jornalismo da Globo e entrou no lugar de Boninho. Ninguém sabe ainda que ele fará para salvar o programa —será a enésima tentativa. Mas existe salvação para o "Vídeo Show"?
 

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