Novo secretário de Cultura de SP defende relação entre arte e vida urbana

Segundo Alê Youssef, prioridade será 'agitar a cidade em suas vocações e vitalidades culturais'

O produtor cultural e empresário Alê Youssef, que assume o comando da Secretaria Municipal de Cultura - Marcus Leoni/Folhapress
São Paulo

À porta do prédio onde funciona a Secretária Municipal de Cultura, no centro de São Paulo, o empresário e produtor cultural Alê Youssef afirmou nesta terça (15) que a ideia seminal para a gestão que começa a comandar nesta semana é a de construir pontes entre setores e identidades da cultura.

Youssef ocupa o lugar de André Sturm, que chefiou a pasta desde o início de 2017 e foi demitido nesta segunda (14) pelo prefeito Bruno Covas, após diversos embates com setores de representação artística e uma investigação no Ministério Público por improbidade administrativa. 

O novo secretário falou brevemente e não quis entrar em temas específicos antes de estudar o cenário que terá pela frente. Mas a ideia expressa acima tem relação com pensamentos progressistas que com frequência defendeu em público.

Ele fala agora em “agitar a cidade em suas vocações e vitalidades culturais”. Para ele, “temos uma diversidade incrível de eventos, festivais, mostras, manifestações, coletivos” e “a intenção é estabelecer essas conexões e fazer com que a gente tenha um grande calendário que, além de pujante, reúna o público no que acontece na esfera do privado e pelas ações dos empreendedores culturais”.

É possível entender melhor seu olhar voltado para a relação entre arte e meio urbano em uma apresentação que fez na série de conferências do TED. No vídeo publicado em 2012 no YouTube, ele acusa o poder público de não ter zelado por um ambiente cultural criado espontaneamente pelos clubes noturnos e bares do chamado Baixo Augusta, no centro de São Paulo. 

Para o novo secretário, a região sofreu “ataque da especulação imobiliária”. Ainda no TED, ele falou de “dezenas de galpões, antes ocupados pela arte, que foram derrubados”, dando lugar a “prédios sem qualquer tipo de planejamento ou preocupação estética”.

Youssef foi vítima dessa especulação. Ele era à época sócio do Studio SP, casa que iniciou suas atividades na Vila Madalena e migrou para o Baixo Augusta. Músicos como Tulipa Ruiz, B Negão, Mallu Magalhães e Céu se apresentaram lá no início de suas carreiras. 

Em 2013, a casa fechou, e uma das razões reportadas foi a mesma especulação imobiliária que também atingiu bares como o Vegas e o Netão.

Agora, com “carta branca” dada por Covas em um aceno progressista do prefeito tucano, o também criador do Acadêmicos do Baixo Augusta, um bloco carnavalesco que já tem dez anos, diz que pretende “celebrar a diversidade”. 

Youssef ganhou projeção ao chefiar a Coordenadoria Especial da Juventude, no início da gestão de Marta Suplicy (2001-2004). O gabinete organizou eventos de rua como o Festival Agosto Negro de Hip Hop e o Lov.e por São Paulo.

É pai de uma menina, que adotou com a atriz Leandra Leal, com quem foi casado por oito anos. Eles se separaram no ano passado.

Também foi chefe de gabinete de Soninha (então no PT, atualmente no PPS) na Câmara dos Vereadores, entre 2005 e 2006. Disse no TED que deixou a vida pública porque “teve uma overdose” com a burocracia. “Eu era muito novo, hoje me sinto muito mais preparado para lidar com ela.”

Autor de “Novo Poder: Democracia e Tecnologia”, livro sobre as ferramentas do ativismo político na era digital, ele também expressou, em entrevistas, incômodo no que considera ser uma “crise na democracia representativa no país”.

Uma das possíveis frentes de Youssef, sinalizada no livro, será o uso de tecnologia no “estímulo à economia criativa”.

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