Novo presidente do Municipal do Rio também vai dirigir Sala Cecilia Meireles

Aldo Mussi afirma que gestão de programação conjunta é possibilidade 'muito concreta'

Luciana Medeiros
Rio de Janeiro

Nesta sexta (1º), o Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro confirmou na presidência do Teatro Municipal seu sétimo presidente em quatro anos.

Aldo Mussi, que ocupava a vice-presidência da fundação na gestão de Fernando Bicudo (de janeiro a novembro de 2018), foi confirmado no cargo, depois de uma interinidade de 20 dias, pelo secretário de Cultura, Ruan Fernandes Lira. 

Mussi foi subsecretário do então secretário de Cultura André Lazaroni, quando Lira também atuou como coordenador de relações internacionais. 

A partir da esq., o ex-presidente do Municipal Fernando Bicudo, a bailarina Ana Botafogo, o novo presidente Aldo Mussi e o presidente anterior, Ciro Pereira Silva, em foto de novembro de 2018 - Divulgação/Teatro Municipal do Rio

André Lazaroni foi exonerado do cargo pelo então governador Luiz Fernando Pezão em novembro de 2017 para reassumir suas funções de deputado estadual na Assembleia Legislativa  —momento em que proferiu um discurso citando uma frase de Bertolt Brecht, que ele chamou de Bertoldo Brecha, personagem humorístico da TV. Concorreu a deputado federal em 2018 e não se elegeu. 
 
Mussi permanece como diretor geral interino na Sala Cecilia Meireles, segundo mais importante palco da música clássica no Rio de Janeiro. Funcionários do Teatro Municipal estão sendo cedidos para a Sala.

Considerada um palco privilegiado para a música, a Cecilia Meireles foi inteiramente reformada há quatro anos. Inaugurada em 1965, teve desde então 15 diretores ligados à música —14 dos quais músicos atuantes, como é praxe em concert halls pelo mundo. A exceção fica por conta de José Mauro Gonçalves, diretor da Sinfônica Brasileira (1966-1971). 
 
Mussi, 54, nasceu em Macaé, cidade litorânea do estado, onde foi secretário de Cultura e Turismo. Formou-se em artes cênicas e trabalhou principalmente com cinema e turismo. Não tem vivência anterior no mundo da ópera e da música. “Ele é uma incógnita”, afirmam funcionários.

“Estamos fazendo um grande estudo para realocar a Sala Cecilia Meireles”, diz Mussi, por telefone. “A ideia é que seja desmembrada da Funarj, a Fundação Anita Mantuano, e fique sob a Fundação Teatro Municipal.” 

A programação da sala está prevista para se iniciar em março, com uma pré-temporada de sete concertos em fevereiro. A transição administrativa se estenderia por seis meses. E a gestão de programação conjunta é uma possibilidade “muito concreta”, segundo Aldo Mussi. Além disso, todas as áreas administrativas, contábeis, jurídicas e financeiras de “vários setores da Cultura” estão sendo reorganizadas para “diminuir os custos da área meio”, afirma. 

A programação do Municipal do Rio será lançada em pacotes semestrais —o primeiro, de março até o aniversário de 110 anos do teatro, em julho.

Na casa lírica, está também nomeado o experiente Luiz Fernando Malheiro como diretor musical.

André Heller-Lopes, que está na Polônia, confirmou que ocupará o cargo de diretor artístico, “quando a UFRJ, onde sou professor, oficializar minha cessão". "Mesmo à distância estou em contato diário com o secretário Ruan Lira e o maestro Malheiro.” Ele afirma que essa administração será "diferente”.

“Nossa gestão será compartilhada, entre presidente, diretor artístico e diretor musical”, explica. “Nós três no comando. Um esquema diferente que o secretário Ruan Lira propõe.”

Aldo Mussi não falou em recursos do estado para as temporadas da Sala e do Municipal.  “Estamos aguardando até o orçamento geral do estado. Mas tenho confiança de que será um bom trabalho.”

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