Companhia das Letras tentou proibir venda de biografia de Roberto Marinho

Justiça negou pedido, mas concedeu liminar bloqueando royalties do autor; motivo é rescisão de contrato

Maurício Meireles
São Paulo

A Companhia das Letras pediu à Justiça que fossem proibidas as vendas da biografia "Roberto Marinho: O Poder Está no Ar", do jornalista Leonencio Nossa, lançada no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (17).

Na última terça-feira (14), o juiz Claudio Antonio Marquesi, da 24ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, contudo, concedeu em liminar apenas o bloqueio dos royalties pagos ao autor. 

O livro seria publicado originalmente pela Companhia das Letras, mas o contrato foi rescindido —o processo não diz quais foram os motivos do rompimento entre biógrafo e editora. A biografia de Roberto Marinho acabou publicada pela Nova Fronteira, que pertence ao Grupo Ediouro.

A Justiça determinou, ainda, que a remuneração do autor com as vendas seja bloqueada até um limite de R$ 220.868. Na decisão, o juiz diz que a editora paulistana tem apenas direito de indenização pelos gastos ao contratar a biografia, mas afasta a possibilidade de proibir a comercialização da obra.

Em nota, a Companhia das Letras diz desejar "toda sorte a Leonencio e ao livro". "Há uma divergência sobre a rescisão do contrato que infelizmente está na Justiça, mas que é assunto paralelo", diz comunicado enviado à Folha. Procurados, o autor e a Nova Fronteira ainda não se manifestaram sobre o caso.

"O Poder Está no Ar" é o primeiro volume da biografia de Roberto Marinho escrita por Nossa. O livro acompanha, em quase 600 páginas, o antigo presidente das Organizações Globo de seu nascimento até a criação do Jornal Nacional, em 1969. 

Na obra, o autor conta a participação de Marinho no DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), na ditadura do Estado Novo, negando registro a jornais de esquerda. E, também no conselho varguista, quando se opôs à intervenção no jornal O Estado de S. Paulo.

Nossa trata do acordo do empresário com o grupo americano Time-Life, nos anos 1960, um dos episódios mais controversos da vida do biografado. O autor do livro teve acesso dos documentos da CPI que investigou o caso.

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