Descrição de chapéu

Rio Montreux Jazz Festival acerta ao apostar no ecletismo das atrações

Evento teve shows lotados com rock pesado, pop brasileiro, rhythm and blues, bossa-nova e música cubana

Thales de Menezes
Rio de Janeiro

Com os shows lotados nos quatro dias de programação, a primeira edição do Rio Montreux Jazz Festival deu muito certo. No evento suíço transportado ao Brasil, o ecletismo das atrações foi uma aposta bem-sucedida.

A variedade ficou clara no show principal de cada noite. Na quinta (6), o herói da guitarra Steve Vai tocou rock bem pesado. Na sexta, houve um encontro de pop brasileiro, com Frejat chamando Pitty e Zeca Baleiro para cantar. Sábado, a graciosa inglesa Corinne Bailey Rae fez talvez a melhor apresentação de todas. No encerramento, no domingo, uma noite cubana com Ivan Lins e Chucho Valdés virou pandemônio dançante.

Quatro plateias bem distintas se revezaram no maior espaço do festival, o Palco Villa-Lobos, para o último show do dia. E a mais felizarda delas foi a que acompanhou Corinne Bailey Rae. A cantora é o sonho de qualquer festival. Une talento, carisma e um apelo fácil para qualquer público.

Seu pop enraizado na melhor tradição do rhythm and blues é agradável, radiofônico, mas nunca descamba numa música simples. Tem harmonias intrincadas, que grudam no ouvido. Desfilou hits próprios, como “Like a Star” e “Put Your Records On”, e ofereceu uma versão impecável de “Is This Love”, de Bob Marley.

Na abertura, Steve Vai estava alucinado, comemorando seu aniversário de 59 anos com uma entrega absurda. Solos inventivos, pisando fundo em pedais de distorção, ele parecia o sujeito mais feliz por ali.

O show que antecedeu ao dele, no Palco Tom Jobim, foi do também guitarrista Al Di Meola, o que encheu o Píer Mauá de fãs do instrumento. Di Meola mostrou uma mistura bem própria de jazz e world music —e extrema simpatia.

Stanley Clarke, um dos grandes contrabaixistas do jazz, fez na sexta uma apresentação que pode ter desapontado alguns admiradores.

O show foi anunciado como The Stanley Clarke Band, e foi isso mesmo. Ele abriu espaço demais aos talentos que o acompanhavam. Sobraram poucos malabarismos que Clarke executa há décadas.

Outros dois nomes consagrados também ofereceram chance a seus discípulos no palco, mas com resultados melhores. No sábado, Hermeto Pascoal pressionou seus músicos ao extremo.

Sua figura simpática é mais um maestro diante de um grupo que passa o show inteiro correndo atrás do ritmo acelerado com o qual o Bruxo emenda vários temas.

No domingo, outro veterano tratou de segurar um pouco seu reconhecido virtuosismo para destacar um trabalho de equipe bem atraente.

O americano John Scofield levantou muito a bola para os rapazes da banda, mas ainda assim mostrou um domínio da guitarra de deixar o público boquiaberto.

E nenhum fã de guitarra pode reclamar do festival. No palco Ary Barroso, aberto a todos que estavam no píer, o sábado teve Andreas Kisser, do Sepultura, numa apresentação de metal acústico.

No domingo, no mesmo espaço, guitarra em dose tripla. Davi Moraes, Pedro Baby e Junior Tostoi empunharam o instrumento, acompanhados de percussionistas, no projeto A Guitarra e o Tambor.

Revisitando clássicos da MPB, a balbúrdia sonora às vezes parecia o encontro do Metallica com a bateria da Mangueira.

Na turma da MPB, Maria Rita cantou com o Quarteto Tom Jobim, num desfile de clássicos bossa-novistas.
Yamandu Costa emocionou com a participação da garotada da Camerata Jovem do Rio de Janeiro. E Hamilton de Holanda apresentou “Harmonize”, que acaba de lançar com seu novo quarteto, e chamou para a segunda metade do show o lendário percussionista Paulinho da Costa, que já tocou com grandes estrelas.

O repertório incluiu “La Isla Bonita”, sucesso de Madonna de 1987 que teve Paulinho na gravação original.

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