Conservadorismo e beleza são indissociáveis, afirma filósofo inglês

Roger Scruton participou, nesta quarta (3) , do ciclo de conferências Fronteiras do Pensamento, em São Paulo

Naief Haddad
São Paulo

A beleza está no cerne da visão conservadora do mundo. Expoentes do pensamento conservador ao longo da história, como o irlandês Edmund Burke (1729-1797) e o francês François-René de Chateaubriand (1768-1848), consolidaram boa parte das suas ideias a partir da apreciação da beleza.

Essas foram algumas das afirmações do filósofo inglês Roger Scruton durante conferência nesta quarta (3) na série Fronteiras do Pensamento no teatro Santander, em São Paulo.

Ele é autor de livros como “Tolos, Fraudes e Militantes - Pensadores da Nova Esquerda” e “Como Ser um Conservador”, ambos pela editora Record. Sua mais recente obra lançada no Brasil é “Conservadorismo - Um Convite à Grande Tradição” pela mesma editora.

Além de filosofia e política, o professor da Universidade de Buckingham tem se notabilizado pelas reflexões sobre estética. Produziu para a rede BBC o documentário "Por que a Beleza Importa?"

​Durante a conferência, Scruton afirmou que a beleza tem sido eliminada da vida das pessoas pela ação de instituições como escolas de arte moderna e agências de publicidade. “Os cubos dos edifícios modernistas declaram o fim dos ornamentos. Como acontece nos regimes comunistas, o diálogo pessoal é substituído pelo impessoal”.

O filósofo criticou duramente o comunismo que ele conheceu nos anos 1970 em visitas aos países do Leste Europeu. “As relações de poder estavam acima da responsabilidade de cada um”, lembrou. “Havia uma despersonalização, aprendia-se a não confiar nos outros. Em um mundo inumano, a humanidade aparecia apenas nas fendas.”

Diante de uma pergunta do público sobre as diferenças entre o conservadorismo e o extremismo, Scruton disse que esse último se instala quando o país não tem arcabouços institucionais sólidos.

​“Se você se esquece das instituições ou tenta reduzir a importância delas, há o risco de cair no extremismo. Isso vale para governos de direita e de esquerda”, afirmou. “A política se faz no debate entre as pessoas.”

O autor inglês não citou exemplos de países sob comando extremista.

Scruton também enfatizou a importância do sagrado. Seguidor da Igreja Anglicana, ele disse se considerar um “cristão que incorporou um pouco do ceticismo do Iluminismo”.

Sobre o sentido da vida, tema da série deste ano do Fronteiras, o filósofo destacou a relevância “da compaixão dos outros por nós, assim como a aceitação”. Segundo Scruton, o sentido não está em nós mesmos, mas se fundamenta nas relações interpessoais. “Nossa salvação é o amor que o outro nos traz.”   

 
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