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'Crucible', primeiro game da Amazon, tem pitadas de 'Fortnite' e 'Dota'

Gratuita para computadores, produção surpreende pela falta de sintonia com demais criações da empresa

A entrega da Amazon está atrasada. Depois de quase uma década de idas e vindas, nesta terça-feira (19) a empresa trilionária abre um novo front em sua luta pelo domínio do entretenimento digital com "Crucible", jogo gratuito para computadores que joga no liquidificador características dos principais concorrentes do cenário de games competitivos.

"Crucible" é um jogo de batalha de tiro com ambiente de ficção científica. Entre alienígenas, robôs e humanos, oferece dez opções de personagens (caçadores, no jargão do game) com habilidades que evoluem ao longo da partida. Serão três modalidades diferentes, sempre em equipe. Não tenha dúvidas –seja qual for o objetivo do modo escolhido, será preciso abater membros do time adversário.

Se fosse uma receita, "Crucible" contaria com uma pitada de "Fortnite", da Epic, três colheres de "Dota 2", da Valve, e duas xícaras de "Overwatch", da Blizzard, só para ficar com alguns dos ingredientes populares entre os jogos competitivos de PC. Nem o nome é lá muito original. "Destiny", da Bungie, outro jogo online de tiro com ambientação sci-fi, tem uma modalidade chamada "crucible".

A julgar pela pouca quantidade de seguidores nas redes sociais oficiais, a expectativa é baixa. Não que isso seja determinante. No ano passado, "Apex Legends", da Respawn, que também é um jogo online de tiro gratuito em equipe –sim, está na moda–, veio de surpresa e chegou a reunir 70 milhões de jogadores em um mês.

"Crucible" surpreende pela falta de sintonia com o ecossistema de produtos e serviços da Amazon. A loja de tudo não fornecerá seu próprio jogo. Quem quiser baixar precisará ir à Steam, popular plataforma de venda e administração de games de PC.

Nem a Twitch, o site da Amazon de transmissão de games ao vivo, terá integração especial. Segundo Colin Johanson, líder da franquia, donos de canais foram ouvidos no desenvolvimento e apontaram que prover recursos para a Twitch não era prioridade.

“Faremos no futuro se nós formos bem-sucedidos, torcemos que as pessoas gostem do jogo”, disse Johanson em uma entrevista coletiva dada por meio do aplicativo de reuniões virtuais Discord –na ocasião, veículos de imprensa puderam experimentar o jogo por cerca de duas horas.

A resposta titubeante se dá por um fantasma. A integração à Twitch era um dos destaques de "Breakaway", game da Amazon anunciado há quatro anos que misturava futebol americano e super-heróis ou, para comparar com outros jogos, uma cruza de "Rocket League", da Psyonix, com "Smite", da Hi-Rez.

"Breakaway" foi cancelado antes de ser lançado, menos de dois anos depois de seu anúncio, sem grandes justificativas.

A Twitch vem quebrando recordes de audiência. Segundo a consultoria Stream Hatchet, a plataforma teve mais de 3 bilhões de horas de vídeo visualizados no primeiro trimestre do ano, um crescimento de 16% comparado ao mesmo período do ano anterior. O site tem 65% de participação no segmento.

Partida de 'Fortnite', jogado pelo canal de streaming Twitch
Partida de 'Fortnite', jogado pelo canal de streaming Twitch - Divulgação

Os olhares dos jogadores estão voltados para os jogos do estúdio Riot, "League of Legends" e, principalmente, "Valorant". Ainda em fase de testes, "Valorant" é um jogo de –adivinha– tiro em equipe.

Chaves de acesso são distribuídas aos espectadores da Twitch. O prêmio somado à pandemia faz com que o game reúna mais de 250 mil espectadores em uma manhã de segunda-feira sem sal.

A concorrência é forte, mas a Amazon não começou ontem. O primeiro passo no plano de se tornar uma produtora de grandes jogos aconteceu há seis anos, quando comprou o estúdio Double Helix, da Califórnia. Tirou o doce da concorrente Microsoft, que comemorava o lançamento do jogo de luta "Killer Instinct" feito pela Double Helix para seu console Xbox One.

A jornada da Amazon foi marcada por tropeços. O primeiro jogo da empresa fora dos celulares foi destruído pela crítica especializada. Com lançamento discreto, o título de corrida "The Grand Tour" pelo menos teve o mérito de estrear o motor Lumberyard. No desenvolvimento de jogos, motor –comumente referido no inglês "engine"– é um programa que oferece uma série de facilidades para a criação.

Lumberyard foi criado pela própria Amazon e oferecido gratuitamente para os desenvolvedores. Mesmo assim, o motor foi ignorado pelos estúdios, que continuam a dar preferência para Unreal e Unity. "Crucible" é o segundo jogo a usar Lumberyard.

A empresa de Jeff Bezos tem os bolsos cheios, mas não rasga dinheiro. "Crucible" é gratuito para jogar. Gerará receita com a comercialização de roupas especiais aos personagens. Uma das vestimentas à venda para a caçadora Summer, que usa lança-chamas, é a icônica roupa da mulher de lenço vermelho do cartaz "We Can do It", símbolo feminista.

“Não há possibilidade de pagar para ganhar, as compras só afetam a parte cosmética do jogo”, afirmou Johanson, ciente que os jogadores detestam quando o dinheiro repercute em vantagens competitivas.

Depois de "Crucible", a Amazon Games passará a focar o lançamento de "New World", um multijogador online em massa para computador –MMO, na sigla em inglês– ambientado no século 17. A promessa é que o jogo chegue em agosto.

Oficialmente, a empresa não declara planos para os consoles. Porém, numa recente apresentação do novo Xbox, a diretora de parcerias para a plataforma, Sarah Bond, mostrou um slide com conhecida flecha laranja encurvada em um cantinho por cinco segundos. Uma participação discreta, como parece ser a postura geral da Amazon para lidar com a indústria de jogos eletrônicos.

Crucible

  • Quando Lançamento nesta quarta (20), na plataforma Steam
  • Onde store.steampowered.com
  • Preço Grátis
  • Publicadora Amazon Games
  • Desenvolvedora Relentless Studios
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