Em novo álbum, Katy Perry tenta fazer as pazes com turbulências de sua vida

Artista lança o sexto álbum de sua carreira dez anos depois do sucesso 'Teenage Dream', seu terceiro disco

São Paulo

Katy Perry lança o sexto álbum de sua carreira dez anos depois do sucesso “Teenage Dream”, seu terceiro disco. Mas a americana, que vinha numa trajetória ascendente ao longo da última década, parece ser outra agora.

“Smile”, recém-chegado às plataformas de streaming, vem depois do fracasso do último disco, “Witness”, de 2017, e de uma série de polêmicas na vida pessoal da cantora, entre elas a separação do comediante Russell Brand, que deu origem ao documentário “Katy Perry: Part of Me”, em que ela revela boa parte de suas feridas e crises emocionais.

Katy Perry em seu novo álbum ‘Smile’, o sexto de sua carreira
Katy Perry na capa de seu novo álbum ‘Smile’, o sexto de sua carreira - Reprodução

No novo álbum, no entanto, a artista parece tentar fazer as pazes com essa sequência turbulenta de sua vida e carreira.

“Eu descreveria meu novo álbum como esperançoso, resiliente, alegre e minha própria jornada de atravessar o inferno”, ela disse, em entrevista ao The Sunday Times Style em julho deste ano.

Os nomes das faixas já remetem a essa tentativa de superação, como em “Cry About It Later”, “Resilient” e “Smile”, que batiza o disco.

Esta última, lançada como single neste ano, resume essa tentativa nos primeiros versos. “Marque isso, amor, eu sou grata/ preciso dizer que já faz um tempo/ mas agora eu trouxe de volta esse sorriso.”

Não que os problemas da cantora tenham acabado por completo. Durante uma participação no programa de rádio “Q on CBC”, ela disse em junho que considerou se suicidar há três anos, depois de se separar do ator Orlando Bloom, com quem se reconciliou.

“Perdi o meu sorriso”, contou ao apresentador Tom Power. “Não sei se era um sorriso totalmente autêntico, mas estive no topo da alegria por um longo tempo. Foi a validação, o amor e a admiração do mundo exterior. E então isso mudou”, contou a artista.

Ao longo do álbum, Katy Perry afirma estar “acordando de um sonambulismo”, se desculpa com seus pais e pede que não percam a esperança. “Eu sou resiliente, nasci para ser brilhante”, ela canta em “Resilient”, feita com os produtores de “Firework”, um de seus maiores sucessos.

A série de faixas medianas, sem batidas empolgantes, no entanto, não parece guardar um hit em potencial para reerguer a carreira da artista. Quando ela estava no auge, “Teenage Dream” gerou um recorde de cinco singles em primeiro lugar —segundo o New York Times, o único outro álbum a bater esse número foi “Bad”, de Michael Jackson.

O jornal americano também lembra que, dos últimos cinco singles que a cantora lançou, nenhum ultrapassou o 40º lugar na parada da Billboard.

De fato, o universo adocicado e colorido que a cantora criou no passado não é a tônica de “Smile”. Não há mais os fogos de artifício ou o frescor de um romance adolescente de verão —na capa do disco, Katy Perry aparece como um palhaço um tanto triste.

Mas, além da tentativa de se reconciliar com esses períodos de depressão e falta de trabalhos bem-sucedidos, ela se ancora em elementos novos de sua vida para criar as músicas do novo álbum.

“A música que melhor resume minha vida agora seria provavelmente "Smile" ou a última faixa do meu álbum, que se chama ‘What Makes a Woman’, porque estou passando por coisas muito, muito femininas agora”, disse a cantora na mesma entrevista de julho.

“Estar grávida é incrível porque meu nível de apreciação pelas mulheres cresceu e me deu um sentimento poderoso, como se eu pudesse fazer tudo enquanto ainda crio outra vida”, ela disse —sua filha com Bloom, aliás, acaba de nascer.

Numa das faixas, um pop mais lento e meloso, ela diz que ser mulher passa pelo jeito em que corta o cabelo, o fato de não usar maquiagem —e se sentir mais bonita assim— e fazer o que bem entende.

Em “Resilient”, Perry também faz referência ao marido, de sobrenome que se poderia traduzir por florescer. “Estou em plena floração”, ela canta. E, não por acaso, o nome da bebê é Daisy, ou margarida.

O disco, no entanto, sai ofuscado num ano com lançamentos importantes do pop, como “Chromatica”, de Lady Gaga, “Future Nostalgia”, de Dua Lipa, e “Folklore”, de Taylor Swift. Ainda assim, celebra a tentativa da cantora de virar a página. “Mas cada lágrima foi uma lição/ a rejeição pode ser uma proteção de Deus”, ela canta em “Smile”.

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