Companhia Pessoal do Faroeste é despejada de sede, na região da cracolândia

Grupo de teatro que distribui cestas básicas à população durante a pandemia deve R$ 200 mil em aluguéis

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São Paulo

Há oito anos atuando na região da cracolândia, no centro de São Paulo, a companhia teatral Pessoal do Faroeste foi despejada de sua sede na tarde desta quarta (2).

O grupo capitaneado pelo diretor Paulo Faria deve ao proprietário do sobrado na rua do Triunfo cerca de R$ 200 mil, referentes a cerca de um ano e meio de aluguéis não pagos.

Faria afirma que oficiais de justiça chegaram ao local às 13h30, aproximadamente, pouco antes de ele iniciar a distribuição de cestas básicas que comanda ali desde o começo da pandemia. A companhia calcula que as cestas atendam a cerca de mil famílias do entorno.

Segundo o diretor, o processo de despejo iniciado agora se estenderá pelos próximos dez dias, por causa da quantidade de peças de acervo que eles armazenam no prédio.

O imóvel na rua da Triunfo é, aliás, um de dois mantidos pelo grupo —o outro, de esquina e interligado ao primeiro, é onde funciona o Instituto Luz do Faroeste, criado pela companhia para desenvolver ações sociais. Faria diz que é para lá que eles estão deslocando uma parte desse acervo.

O aviso de despejo foi recebido pela Pessoal do Faroeste em meados de agosto. Faria afirma que ele e seus colegas na companhia acreditavam estar protegidos da ameaça desde o último dia 20, porém, quando a Câmara dos Deputados derrubou o veto ao artigo que proibia despejos de inquilinos durante a pandemia.

No entanto, essa suspensão inclui ações ajuizadas a partir do dia 20 de março, quando foi declarado no país estado de calamidade pública por causa do coronavírus. Segundo Faria, a ação de despejo contra a companhia foi ajuizada em 8 de março.

O diretor afirma que a única ação capaz de impedir o despejo agora é uma intervenção direta da prefeitura. Um protesto pedindo a manutenção do espaço pelo grupo está marcado para esta quinta-feira (3), ao meio-dia.

Faria diz se preocupar que a saída da companhia do espaço prejudique uma série de iniciativas sociais que fazem eventos ali, caso da Ocupação Cultural Jeholu, que debate o racismo, e o balcão de atendimento de direitos humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, a OAB. “Teatro eu faço na rua”, diz. “Mas esses endereços funcionam aqui.”

A própria companhia é bastante atuante na região da Luz. Muito antes da distribuição de cestas básicas —que Faria diz que pretende manter, apesar do despejo—, seus membros já ministravam oficinas de arte para a comunidade local, em especial com os usuário de crack.

Esta é a segunda vez que a Pessoal do Faroeste sofre uma ação de despejo. Na primeira, no início do ano passado, a companhia conseguiu um acordo com o proprietário e usou recursos do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para pagar uma fração dos aluguéis atrasados.

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