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Sean Connery lutou contra 007, que o queria liquidar, disse a Folha em 1973

Reportagem celebrava o ator enquanto apresentava Roger Moore como o novo James Bond

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São Paulo

O James Bond de Sean Connery era uma máquina do amor, capaz de dominar truques inerentes às aventuras do agente britânico com os olhos fechados e as mãos amarradas, enquanto outros o faziam às custas de muito treino e mal.

Foi assim que a Folha descreveu a trajetória do ator escocês como o icônico 007, em reportagem publicada em 1973, meses antes de Connery passar o personagem para Roger Moore em "Com 007 Viva e Deixe Morrer". O intérprete original de James Bond morreu neste sábado (31), aos 90 anos.

Assinado pelo jornalista e crítico de cinema Orlando Lopes Fassoni, o texto dos anos 1970 apresentava aos leitores o novo intérprete de 007, deixando claro, no entanto, que Connery era inigualável. Mas "Bond é um monstro que quer me liquidar", dizia o próprio ator, e foi preciso abrir caminho para que uma nova geração de filmes sobre o agente chegasse às telas.

Antes de Moore, dois outros britânicos tentaram substituir Connery, mas sem sucesso —David Niven, de forma extra-oficial, em "Casino Royale", e George Lazenby, em "A Serviço Secreto de Sua Majestade". Eles não conseguiram dar a Bond a "mesma feição máscula e heroica, os mesmos gestos de desconfiança e vivacidade", diz a reportagem.

"Estava provado que 007, sem ele, era simplesmente um agente secreto comum como tantos outros criados no cinema", continua, mas não sem ressalvas. "A neurose da fama e o peso que 007 signficava por pouco não levam Sean Connery ao túmulo."

A reportagem destaca que o ator sofreu com a glória que James Bond lhe deu. Cita, por exemplo, que antes mesmo de sua incursão final na franquia, Connery precisou ser internado por um mês, já "calvo e com excesso de banha na barriga".

Ele ainda voltaria a vestir o smoking do agente britânico, em um filme oficial da saga, em "Os Diamantes São Eternos". "Mas Connery, com planos pessoais no teatro britânico, não continuou. Decidiu, finalmente, que James Bond pode continuar vivendo sem ele e que ele pode demonstrar novas facetas de talento em filmes com menos fantasia e mais seriedade", conclui o texto.

DB5, carro de 1964 da Aston Martin, em cena no filme 007 "Goldfinger"
Sean Connery ao lado do carro DB5, de 1964 da Aston Martin, em cena no filme "007 Contra Goldfinger" - Divulgação
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