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Museu da Língua Portuguesa renasce como um ato de amor

Reaberta, instituição na estação da Luz, em São Paulo, nos oferece extraordinário banquete

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José Manuel Diogo

Empresário e especialista em Intelligence

Segundo o marco legal da língua portuguesa —que existiu sempre na nossa memória coletiva, mas nunca existirá como lei terrena—, poderão ser classificados como falantes da língua portuguesa todos os homens, mulheres e não binários, atuantes ou espectadores da inovação ou da memória, que a utilizem aplicada à poesia, à prosa, ao grito ou ao silêncio, ou a qualquer outro ato que pratiquem, seja ele de amor ou outro modelo de negócio.

Os falantes deverão declarar, no ato constitutivo, que são parte de um conjunto de 260 milhões de pessoas, vivendo em cinco continentes e em um dos nove países que compõem a comunidade de países de língua oficial portuguesa.

Deverão acordar que ela é multicêntrica e global, e não apenas uma herança de uso cotidiano. Ela é a língua dos povos que têm por fronteira o mar.

Entre outros pontos, este marco legal determina que a língua portuguesa é, cada vez mais, uma língua de ciência, de economia e de entendimento universal. Que tem uma arte própria, uma literatura específica e “modos de dizer as coisas” que só se podem falar em português.

A intenção do seu uso é resolver as demandas do seu importante valor de mercado no mundo dos idiomas, agilizando a comunicação de seus falantes em toda a sua dispersão geográfica.

A utilização da língua portuguesa revela uma forma particular de ser e, quando viajamos e apreendemos outras línguas, percebemos que traduzir “do português” empobrece o que sentimos e queremos dizer.

A língua é a alma sonora de um povo e, mesmo desconhecendo o significado de alma ou a definição de povo, ela nos dá aquela consciência plena de que algo supremo nos pertence. Desde sempre e para sempre.

A linguagem nos faz humanos, a capacidade de comunicar nos torna amigos, mas é partilha da mesma língua que nos faz ser íntimos. E só nessa partilha podemos compreender os elementos da fórmula secreta que determina o sentido de humor, esse conceito que define o lugar onde confluem, racionalidade, emotividade, cumplicidade e inteligência.

Porque, desde toda a eternidade humana, a língua é o objeto onde se inscreve todo o poder, fica também determinado —em sede “linguislativa”— que poderemos lhe acrescentar cotidianamente todas as novas palavras que somem entendimento e valor.

Este ato administrativo, oficiosamente também chamado de amor, será depositado para toda a eternidade no Museu da Língua Portuguesa, que agora renasce num lugar onde todos os falantes do mundo nos saúdam à chegada.

O próprio museu fez sua diáspora depois de ter saído em chamas da estação da Luz, em São Paulo, no fogo de dezembro em 2015. Partilhou-se na cidade da Praia, em Cabo Verde; mostrou-se na baía de Luanda, em Angola; encantou no centro em Maputo, em Moçambique, e na frente do Tejo, em Lisboa; e agora fecha sua circum-navegação na Luz do último dia do julho mais frio que há memória.

Cinco anos depois, penetrando surdamente (de novo) no reino das palavras, como escreveu Carlos Drummond de Andrade, o Museu da Língua Portuguesa nos oferece agora —pelo leme de Isa Grinspum Ferraz e Hugo Barreto, seus curadores, mãe e pai brilhantes— um extraordinário banquete.

MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA

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