Adesão ao Refis do futebol deixa Flamengo melhor que a Petrobras

Crédito: Jorge Rodrigues - 23.nov.2017/Eleven/Folhapress Vinicius Jr, negociado com o Real Madrid por R$ 100 milhões; dinheiro abaterá dívida
Vinicius Jr, negociado com o Real Madrid por R$ 100 milhões; dinheiro abaterá dívida

JULIO WIZIACK
MAELI PRADO
DE BRASÍLIA

Um dos times mais endividados do país, o Flamengo hoje é mais saudável financeiramente que a Petrobras, que também tenta se reerguer de um atoleiro de dívidas.

Há seis anos, se pudesse quitar suas dívidas, o clube precisaria dispor de quantia equivalente a 3,5 vezes o seu caixa -R$ 443 milhões.

Hoje, a dívida total (que inclui a dívida em tributos com a União) é de R$ 304 milhões e seria preciso 70% da quantia disponível para quitá-la. A situação é melhor que a da Petrobras, que terminou 2017 com índice de 3,2.
A situação está desse jeito porque o Flamengo aderiu ao Profut, espécie de Refis para clubes lançado pelo governo em 2015.

Para cumprir a agenda de pagamentos, o Flamengo contratou uma gestão profissional. "Isso aqui agora é como uma empresa de capital aberto", diz Marcio Garotti, diretor financeiro do clube.

"A venda do Vinicius Jr, por exemplo, será usada para abater nossa dívida."

Estrela do time rubro-negro, Vinicius Jr foi negociado com o Real Madrid por cerca de R$ 100 milhões, descontados impostos. Os espanhóis pagaram dois terços do valor antecipadamente.

A pendência inscrita na Dívida Ativa da União é de R$ 244,3 milhões, e o clube vem pagando, segundo Garotti, R$ 1 milhão por mês.

Para que o Flamengo honrasse com o pagamento das ações trabalhistas, a Justiça criou um fundo que empenhava, inicialmente, 35% das receitas do clube. O índice foi se reduzindo à medida que os pagamentos foram sendo feitos e, até meados do ano passado, era de 15%.

Segundo Garotti, em dezembro, os pagamentos deixaram de ser feitos pelo fundo. Os poucos que existirem serão acertados diretamente pelo Flamengo. "Estávamos na UTI, fomos para o quarto e agora tivemos alta."
Movimento parecido também ocorreu no Atlético-MG.

Com débitos de R$ 339,7 milhões na Dívida Ativa da União, o clube parcelou com a Procuradoria-Geral da Fazenda. A adesão ao Profut, em 2015, melhorou as condições de pagamento devido aos descontos de multas e juros e permitiu fechar patrocínio com a Caixa, que exigia auditorias das dívidas e uma negociação com os credores.

No entanto, nem todos os times foram por esse caminho. Estima-se que somente 40% estejam pagando regularmente as parcelas do programa.

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