Inflação em 12 meses deve ter pico no 2º trimestre de 2019, diz BC em ata

Copom manteve a taxa básica de juros em seu piso histórico de 6,5% ao ano

Brasília | Reuters

O Banco Central afirmou que a inflação acumulada em 12 meses deve se elevar até atingir um pico por volta do segundo trimestre de 2019, recuando então em direção à meta ao longo do próximo ano, conforme ata do Copom (Comitê de Política Monetária) divulgada nesta terça-feira (6).

"Ajustes de preços relativos parecem ter contribuído para elevar a inflação para níveis compatíveis com as metas em contexto com expectativas ancoradas, o que não deveria constituir risco para a manutenção da inflação nesses níveis após concluídos os referidos ajustes", disse o BC no documento, assinalando que seguirá acompanhando essa trajetória.

Na semana passada, o BC manteve a taxa básica de juros em seu piso histórico de 6,5% ao ano e ponderou que houve alguma melhora em seu balanço de riscos, corroborando apostas no mercado de que não subirá a Selic tão cedo, embora tenha mantido a porta aberta para fazê-lo se houver piora no quadro inflacionário. A mensagem foi repetida na ata nesta terça-feira.

Em pesquisa Reuters, 40 de 42 economistas já esperavam que o BC deixasse os juros inalterados, o que ocorreu pela quinta reunião consecutiva do Copom, a primeira após a realização das eleições presidenciais.

 
 

Desta vez, o BC foi um pouco mais direto sobre o quadro que passou a ver ao assinalar que, em relação ao cenário doméstico, houve diminuição de incertezas, que produziu redução dos prêmios de risco embutidos nos preços de ativos brasileiros.

"[Isso] contribuiu para redução do grau de assimetria no balanço de riscos para a inflação. Não obstante essa melhora, os membros do Copom concluíram que os riscos altistas para a inflação seguem com maior peso em seu balanço", afirmou o BC, em referência ao risco de frustração das expectativas sobre a continuidade de reformas na economia e de deterioração do cenário externo para economias emergentes.

Em setembro, o BC havia dito pela primeira vez que poderia subir a Selic à frente caso houvesse piora do cenário inflacionário, conforme incertezas ligadas às eleições e um movimento global de aversão a risco pressionavam o câmbio aos valores mais altos desde a criação do real.

Agora, a possibilidade de eventual aumento de juros seguiu na mesa, mas parece mais distante com o reconhecimento que o balanço de riscos mudou para melhor.

Ao longo das últimas semanas, os mercados demonstraram forte alívio com o favoritismo e posterior vitória de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência do país, pelo fato de o capitão da reserva ter sido abraçado como o candidato reformista no embate com o petista Fernando Haddad.

Em outubro, a moeda norte-americana teve a maior queda percentual ante o real desde junho de 2016, para o patamar de 3,70 reais. O recuo do dólar frente ao real pode baratear importados e insumos da indústria e agricultura, reforçando a perspectiva de inflação lenta nos próximos meses.

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, fala em evento em Brasília
O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, em evento em Brasília - AFP

Apesar de o IPCA em 12 meses ter subido para acima do centro da meta deste ano, de 4,5%, o chamado núcleo da inflação, que não leva em conta componentes voláteis, tem ficado contido, em meio à lenta recuperação econômica e desemprego elevado.

"No que tange à inflação subjacente, nos últimos meses suas diversas medidas se elevaram a partir de níveis considerados baixos, atingindo níveis que o Comitê julga apropriados – ou seja, de modo geral consistentes com as metas para a inflação", avaliou o BC na ata.

Na mais recente pesquisa Focus, feita pelo BC junto a uma centena de economistas, as perspectivas para inflação neste ano voltaram a cair, a 4,40%, ao mesmo tempo em que os economistas que mais acertam as previsões passaram a ver a Selic mais baixa em 2019, a 7,5%, ante 7,88% anteriormente.

Para o ano que vem, a projeção geral dos economistas é de um IPCA em 4,22%, praticamente no centro da meta, que é de 4,25% em 2019.

Considerando a manutenção da Selic em 6,5% e o dólar constante a R$ 3,70, o BC calcula um cenário parecido, com inflação de 4,4% para 2018, 4,2% para 2019 e 4,1% para 2020, sendo que para o último ano o centro da meta de inflação é de 4%.

Em todos os anos, a margem para a meta é de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

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