Trabalhadores protestam contra fechamento da Ford em São Bernardo

Sindicalistas afirmam que se reunirão com a direção global da marca, em Detroid

São Bernardo do Campo | Reuters

Mais de 2.000 funcionários se reuniram nesta terça-feira (26) em São Bernardo do Campo para uma assembleia e protesto contra o fechamento da fábrica da Ford nesta cidade, anunciado há uma semana.

O encontro foi convocado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista em resposta à decisão da Ford de fechar sua fábrica mais antiga no Brasil como parte de um plano de reestruturação mundial.

Após uma semana de greve, a presidência do sindicato anunciou que uma delegação será recebida pela direção global da Ford nos Estados Unidos no dia 7 de março para discutir a situação.

"Já que é a direção mundial da empresa a responsável dessa decisão, pedimos para que ocorresse uma reunião na matriz, o que deve acontecer no próximo dia 7, em Detroit", disse Wagner Santana, presidente do sindicato.

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Funcionários da Ford protestam em São Bernardo do Campo contra o fechamento da fábrica no local - AFP

A empresa ainda não confirmou o encontro.

O fechamento da fábrica, previsto para este ano, afetará 2.800 funcionários diretos, além dos terceirizados. 

A fábrica produz o modelo Fiesta e dois tipos de caminhos, cujos modelos serão vendidos até o fim dos estoques.

"Estamos aqui para lutar com a Ford que tomou uma atitude unilateral de querer fechar a fabrica após novembro", disse Marlon da Silva Trinidade, de 31 anos, funcionário do departamento de logística.

"Faz anos que falam isso, mas a gente não esperava, e está todo mundo desesperado, ninguém tem segundo plano aqui", afirmou Kerily Silva, de 27. 

O protesto ocorreu debaixo de chuva. 

O plano de reestruturação global da Ford, de US$ 11 bilhões, incluiu uma redução salarial e de custos administrativos na região de mais de 20% nos últimos meses e novas alianças, como a anunciada recentemente com a Volkswagen para desenvolver caminhões de médio porte, segundo a empresa.

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