Melhora na nota de crédito do Brasil depende de crescimento maior, diz Moody's

Agência de risco diz que reformas podem elevar o PIB potencial do país para acima de 2,5%

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São Paulo

A agência de classificação de risco Moody’s afirmou nesta terça-feira (24) que a recuperação econômica brasileira é fraca e está abaixo das expectativas

Segundo a Moody’s, a elevação do rating brasileiro, que atualmente é Ba2 --em patamar especulativo-- depende de um crescimento econômico maior e de reformas que permitam um aumento de produtividade e de investimentos privados.

"É improvável que o perfil de crédito do Brasil tenha melhora expressiva nos próximos anos", afirmou a agência em relatório assinado por Samar Maziad.

Segundo o relatório, a performance decepcionante é resultado de muitos fatores, incluindo impedimentos duradouros ao crescimento, que a administração do presidente Jair Bolsonaro tenta resolver com reformas estruturais.

A Moody’s espera que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro termine o ano em alta de 0,90%, projeção levemente acima das estimativas do mercado, que estão ao redor de 0,80%.

Para 2020, o PIB deve ficar em 2%, segundo a Moody’s, também mais otimista que parte do mercado, que já vê uma expansão econômica menor no próximo ano.

Um fracasso no aumento do crescimento pode ter impacto sobre a capacidade de entregar uma estabilização no crescimento da dívida. “Crescimento econômico maior teria impacto maior sobre a redução da dívida que a redução das taxas de juros. A persistência do fraco crescimento econômico limitará um potencial de alta no perfil de crédito do Brasil”, acrescentou a agência.

Ainda segundo a Moody’s, a agenda de reformas do governo Bolsonaro, se implementada com sucesso, pode elevar a estimativa de crescimento da economia brasileira para acima do intervalo de 2% a 2,5% estimado pela Moody’s.

Desde a saída da recessão, o país cresceu 1,1% em 2017 e em 2018. 

Segundo a Moody’s, as reformas estão baseadas em três pilares: mudanças no setor de crédito, reforma tributária e privatizações e concessões.

Segundo a agência, mesmo durante os anos de crescimento mais sustentado da economia, entre 2007 e 2011, o avanço potencial continuou limitado por ineficiências estruturais, como baixo nível de poupança, deficiências de infraestrutura, produtividade estagnada e problemas regulatórios e tributários.

À Folha, o vice-presidente executivo da S&P Global também ressaltou que o país precisa entregar maior crescimento econômico para atrair investidores.

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