Descrição de chapéu Folhainvest

Consumidor pode usar o 13º para quitar dívidas em feirões

Negociações dão descontos de até 99% para quem quer iniciar 2020 com o nome limpo

São Paulo

Às vésperas da época mais movimentada do orçamento familiar, consumidores com contas atrasadas podem renegociar dívidas e limpar o nome ante os birôs de crédito. Os descontos oferecidos nos feirões chegam a 99%.


Também é possível renegociar prazos maiores para quitar os pagamentos.

O dinheiro extra que chega no fim do mês, com o pagamento da primeira parcela do 13º salário —as empresas precisam depositar até o dia 30 de novembro— ajuda na renegociação. 

Neste ano ainda é possível usar o saque extra do FGTS, liberado pelo governo —até o limite de R$ 500— para estimular o consumo. Até 19 de novembro, cerca de 44 milhões de trabalhadores resgataram R$ 18,9 bilhões por meio do Saque Imediato do FGTS.

A parcela de 8,7 milhões de brasileiros, nascidos nos meses de junho e julho, tiveram o saque liberado na semana passada.

A Serasa já fechou mais de um milhão de acordos. “Esse está sendo o maior feirão da história da casa”, afirma o gerente sênior da Serasa Consumidor, Giresse Contini.


De cada 10 negociações, 7 terminaram em pagamentos à vista, sendo que 43% tiveram descontos de 81% a 98%. Para participar, é preciso se cadastrar no site serasaconsumidor.com.br/limpa-nome-online.

No feirão do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), as 120 empresas participantes dão descontos de até 90%. O cadastro é pelo site spcbrasil.org.br/feirao.

Segundo Marcela Kawauti, economista-chefe do birô, o primeiro passo para fechar negócio é o consumidor saber qual é a dívida que tem e o quanto pode pagar.

“Ele precisa entender sua própria situação financeira. É necessário ver se a empresa credora entrou no programa de renegociação. Caso tenha entrado, o consumidor precisa saber quanto gasta do seu orçamento total para, só então, separar o montante que conseguirá usar para quitar a dívida”, afirma a economista.

Estudo do SPC Brasil de julho mostrou que 31% dos inadimplentes culpavam o desemprego pelo endividamento. Outros 20% disseram ter comprado sem checar o orçamento, 18% culparam a renda baixa e 12% disseram ter emprestado nome ou dinheiro para alguém.


“Desemprego e renda estão ligados à economia do país, mas a falta de controle orçamentária é algo preocupante. Isso nos faz imaginar que mesmo que haja uma recuperação econômica, a inadimplência pode continuar sendo um problema”, diz Kawauti.

O total de inadimplentes no país ultrapassa os 12 milhões.

Os dez mandamentos do preparo financeiro

  1. Orçamento na ponta do lápis

    Coloque receitas e gastos em uma planilha. Quanto mais detalhados forem, mais fácil será entender quanto da renda já está comprometida e quanto está disponível para compras e para o pagamento de dívidas.

  2. Para onde vai o seu dinheiro?

    Separar gastos obrigatórios (como água, luz e telefone) dos supérfluos (como compras excessivas) pode ajudar, caso a decisão seja por reduzir os custos da família.

  3. Colchão de emergência

    Uma reserva financeira pode evitar rombos orçamentários em situações de emergência. Separe, mensalmente, um valor dentro da capacidade do seu orçamento (não precisa ser um valor fixo) e guarde para um momento de necessidade.

  4. Investir agora para ganhar depois

    Investir pode ser uma alternativa importante para ter uma renda extra no futuro ou preparar o orçamento para a aposentadoria, mas entender onde você está colocando o seu dinheiro é essencial. Entenda qual é o seu perfil de risco e saiba sobre as taxas cobradas, prazos de investimentos e se há liquidez diária (possibilidade de retirada do dinheiro a qualquer momento).

  5. Sem fórmula mágica

    Poupar é importante, mas não significa deixar de fazer compras e pagar contas o resto da vida. O segredo é consumo consciente e orçamento equilibrado.

  6. Cartão de crédito

    Atentar-se ao número de parcelas pagas no cartão e se há ou não juros sobre elas é importante para o preparo financeiro. Se o pagamento será feito em dez meses, é preciso já contar com um orçamento comprometido ao longo desse período e tomar cuidado para que a soma das compras parceladas não ultrapasse a quantia reservada aos gastos obrigatórios.

  7. Programe-se

    Reservar, aos poucos e antecipadamente, o dinheiro necessário para gastos sazonais (como matrículas escolares, IPTU e IPVA) pode ajudar a preparar o orçamento e evitar contas no vermelho.

  8. “Devo, não nego...

    Esteja ciente de quais são suas dívidas e do quanto será necessário para quitá-las. Pesquise, também, se os credores aderiram a algum programa de renegociação de dívidas e entenda as ofertas dos feirões de fim de ano.

  9. ...Pago quando puder”

    Ciente das dívidas e com o orçamento em mãos, preparar uma oferta de renegociação com parcelas que sejam viáveis de pagar sem a necessidade de ficar no vermelho é o passo essencial para aproveitar descontos e alongamento de prazos nos feirões de fim de ano. O 13º salário e os recursos liberados pelo FGTS também podem ajudar a quitar os débitos mais facilmente.

  10. De novo, não!

    Renegociou ou quitou a dívida? Cuidado, então, para não fazer mais compromissos que não poderá honrar: a reincidência no calote pode dificultar novos empréstimos e encarecer taxas de juros. Mantenha o orçamento organizado para não gastar mais do que pode e planeje os seus gastos.

 

Para o economista da Boa Vista, Flávio Calife, o primeiro ponto que o consumidor precisa atentar é que a renegociação não exige intermediários.

Segundo ele, o contato direto com o credor é mais fácil e, o mais importante, gratuito —intermediadores, normalmente, cobram um valor sobre o serviço prestado.

Outro ponto é ter o orçamento na ponta do lápis, para que os parâmetros da capacidade de pagar a dívida estejam visíveis e detalhados.

“Uma renegociação malfeita normalmente leva o consumidor a ficar inadimplente de novo. Nossos números históricos apontam que 50% dos consumidores que deviam algum valor, e conseguiram acertar as contas, voltaram a ficar inadimplentes em menos de um ano. Alguns, inclusive, em menos de três meses”, pondera o economista.


Na Boa Vista (acertandosuascontas.com.br), o feirão vai até o final de dezembro, abrangendo 63 cidades de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Pará e Alagoas.
 

Calife destaca, ainda, a importância de ter cuidado ao usar o dinheiro do 13º salário e dos saques do FGTS.

“Se há dívidas em atraso, esses recursos têm o acerto de contas como destino. Muita gente considera o FGTS e o 13º como renda extra, mas é preciso ser consciente para que isso não atrapalhe ainda mais o orçamento”, afirma.

A boa notícia veio em um levantamento feito pelo SPC Brasil, que aponta que 38% dos beneficiários que vão sacar seus recursos do FGTS pretendem usar o dinheiro para quitar dívidas. O percentual corresponde a cerca de 10 milhões de pessoas.

Os especialistas defendem, ainda, a importância da implementação do cadastro positivo no sistema financeiro.

“Vemos um maior entendimento e interesse pelo assunto, mas há um bom trabalho de educação financeira que ainda vai levar de um a dois anos. As pessoas estão mais abertas, mas estamos em um processo inicial”, diz Contini.

Com o fim da primeira fase, momento em que bancos e instituições financeiras enviaram os dados para os birôs participantes, há o processo de aviso dos consumidores de abertura e inclusão no cadastro.

A adesão dos setores de telecomunicação, varejo e utilidades deve ocorrer ao em 2020.

“Faremos, em conjunto com outros birôs, uma série de ações de educação financeira para que as pessoas entendam o cadastro positivo e trabalhem a sua nota de crédito de maneira saudável para conseguir juros melhores na hora do crédito, que é o que vemos acontecer em outros países”, conclui o gerente da Serasa.

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