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Contra demissões, trabalhadores protestam em revendas da Renault

Sindicato diz que falta diálogo da empresa, que atribui 747 dispensas à pandemia

Curitiba

Funcionários de concessionárias da Renault em São Paulo, Minas Gerais e no Paraná realizaram atos nesta quinta-feira (30) contra a demissão de 747 trabalhadores da fábrica da empresa em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba (PR).

Na capital paulista, ocorreram manifestações nas concessionárias Renault Vila Guilherme, Ipiranga e Vila Olímpia. Ações parecidas foram registradas em São José dos Campos, Osasco, Guarulhos e São João del Rei (MG). No Paraná, os protestos se concentraram nas maiores cidades - Curitiba, São José dos Pinhais, Araucária, Pinhais, Campo Largo e Londrina.

Os funcionários do Paraná foram dispensados na terça-feira da semana passada (21) e, desde então, outros empregados da linha de produção estão em greve por prazo indeterminado. Eles pedem principalmente pela suspensão das demissões.

O Sindicato dos Metalúrgicos da grande Curitiba (SMC) alega falta de diálogo por parte da Renault ao decidir sobre as dispensas. A entidade afirma que a empresa também descumpriu uma lei paranaense que concedeu incentivos à fábrica em troca da manutenção de empregos.

“Queremos que a Renault veja o compromisso que tem ao receber incentivos, afinal é um dinheiro público do qual está se beneficiando. O planeta todo passa pela pandemia, mas temos que buscar espaço de negociação e flexibilização e não partir para radicalizações. Faltou tranquilidade e boa-fé da empresa nas demissões”, disse Sérgio Butka, presidente do SMC.

“A empresa demitiu e 40% dos trabalhares estavam com problemas de saúde, isso mostra total insensibilidade. A Renault se mostra reticente às negociações, então a única maneira de chamar atenção é nas concessionárias, mostrando o problema para a sociedade”, afirmou Miguel Torres, presidente do sindicato dos metalúrgicos de São Paulo.

De outro lado, a Renault relaciona a demissão em massa aos impactos da pandemia do novo coronavírus. No primeiro semestre de 2020, as vendas da montadora caíram 47%.

Em nota, a empresa informou que tenta negociar com os empregados desde abril. Houve proposta de redução de jornada e nos salários e, no último dia 15, a Renault apresentou um plano de demissão voluntária, mas, segundo a empresa, ambos foram rejeitados pelo sindicato.

Assim, a fabricante resolveu fechar o terceiro turno de produção e desligar os trabalhadores.

A empresa destacou que, além das verbas rescisórias legais, concedeu adicionalmente aos demitidos a extensão do vale-mercado até o mês de outubro e dos planos de saúde até dezembro e um programa de orientação para recolocação no mercado de trabalho.

A Renault negou estar descumprindo o Protocolo Paraná Competitivo, programa estadual de benefícios para empresas para atração de investimentos, assinado pela montadora em 2011, “pois o compromisso assumido foi atingido já em 2014 e se mantém até hoje”.

Em relação à lei citada pelo sindicato, disse que há exceções sobre a manutenção do nível de empregos diante da dificuldade financeira enfrentada durante a pandemia.

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