Desemprego atinge em janeiro maior nível para o período na série histórica, diz IBGE

Taxa do trimestre encerrado no mês ficou em 14,2%; desalento bate recorde

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Rio de Janeiro

A taxa de desemprego no trimestre encerrado em janeiro foi de 14,2%, a pior para o período desde o início da pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2012. Ao todo, 14,3 milhões de brasileiros estavam em busca de uma vaga no período.

Esse é, segundo o IBGE, o maior número de desempregados desde o início da série histórica da pesquisa. São cerca de 200 mil pessoas a mais do que no trimestre anterior, encerrado em outubro, e 2,4 milhões de pessoas a mais do que no mesmo trimestre de 2020, antes do início da pandemia.

Apesar do recorde, a taxa ficou praticamente estável em relação ao trimestre móvel encerrado em outubro e, segundo o IBGE, ainda contabiliza efeitos do crescimento do emprego nos últimos meses de 2020, período em que normalmente comércio e serviços contratam para as festas de fim de ano.

Por isso, diz a gerente da pesquisa, Adriana Beringuy, os dados trazem um aumento de 2% no contingente de brasileiros ocupados, que chegou a 86 milhões de pessoas, 1,7 milhão a mais no mercado de trabalho em relação ao trimestre encerrado em outubro.

"A gente percebe a mauntenção de um processo de recuperação [após os impactos iniciais da pandemia], impulsionado principalmente pelas atividades de comércio, alguns serviços e principalmente por meio do trabalho informal", disse Beringuy.

"Mas esse resultado de janeiro tem que ser visto com a ressalva que a gente tem [em seu cálculo] dois terços do fim do ano de 2020", ponderou. Na comparação com o início de 2020, por exemplo, o número de ocupados caiu 8,6%, o que significa que 8,1 milhões de pessoas perderam o emprego após o início da pandemia.

A maior parte do aumento na ocupação em relação ao trimestre anterior veio da população informal: o número de empregados sem carteira assinada no setor privado subiu 3,6% (339 mil pessoas), os trabalhadores por conta própria sem CNPJ aumentaram em 4,8% (826 mil) e os trabalhadores domésticos sem carteira, 5,2%.

"O trabalhador por conta própria e o empregado no setor privado sem carteira permanecem sendo aqueles que estão contribuindo mais para o crescimento da ocupação no país”, diz a gerente do IBGE. Com isso, a taxa de informalidade no trimestre encerrado em janeiro foi de 39,7%.

O IBGE detectou ainda recorde entre os desalentados, aquele grupo que gostaria de trabalhar mas não procurou emprego. Ao todo, 5,9 milhões de pessoas se encontravam nessas condições no trimestre encerrado em janeiro.

Beringuy frisou que o resultado é uma fotografia do momento e que ainda não capta o aumento da pandemia no início de 2021.

"A gente não sabe quais os efeitos que virão", disse a gerente da pesquisa, lembrando que os dados de fevereiro devem trazer efeitos da suspensão do carnaval e, em março, o indicador deve começar a refletir o aumento das medidas restritivas para enfrentar a pandemia.

​Janeiro é o primeiro mês após o fim do auxìlio emergencial, em dezembro, o que também deve ter impactos no mercado de trabalho — embora o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, tenha afirmado que o efeito do fim do benefício na economia foi menor que o esperado.

Pesquisa Datafolha divulgada na semana passada mostra que 79% dos brasileiros acreditam em aumento do desemprego nos próximos meses. Para outros 10%, a taxa vai ficar como está. Para 10%, vai diminuir. É o pior resultado registrado nas pesquisas do instituto, considerando a série histórica iniciada em 1995.

O novo auxílio emergencial, de até R$ 350, começa a ser pago no dia 16 de abril, primeiro para beneficiários do programa Bolsa Família. Este ano, não foi possível solicitar o auxílio ao governo. Todos os beneficiários que receberão as novas parcelas são pessoas que já receberam no ano passado.

Com o aumento da informalidade, o rendimento médio do trabalhador brasileiro caiu 2,9% frente ao trimestre encerrado em outubro de 2020, para R$ 2.521. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, houve estabilidade.

A renda média calculada pelo IBGE chegou a subir durante os piores meses da pandemia, mas por um efeito estatístico, já que o desemprego afetou mais fortemente trabalhadores informais, que têm menor renda.

A massa de rendimento real ficou estável na comparação com o trimestre anterior, sendo estimada em R$ 211,4 bilhões. Já na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, houve queda de 6,9%, ou R$ 15,7 bilhões.​​

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