Descrição de chapéu Selic copom juros

Alta rápida dos juros vai permitir um ciclo mais curto de ajuste, diz presidente do BC

Campos Neto diz afirma que não vê onda global de aumento de preços

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

São Paulo

Segundo o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, uma alta mais rápida na taxa básica de juros (Selic) deve surtir um efeito maior sobre a inflação, permitindo um ciclo mais curto de aumento.

Na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de março, a autoridade surpreendeu o mercado e subiu a Selic em 0,75 ponto percentual. Em maio, fez um ajuste semelhante.

"Decidimos fazer um ajuste um pouco maior do que o mercado estava esperando, entendendo que se a gente faz mais, mais rápido, a gente precisa fazer um ciclo total menor, então aumenta a eficiência", afirmou Campos Neto na 22ª edição da CEO Conference Brasil, do banco BTG Pactual, na manhã desta terça-feira (25).

Presidente do BC, Roberto Campos Neto
Presidente do BC, Roberto Campos Neto, reforça que irá perseguir a meta da inflação - Adriano Machado/REUTERS

Ele afirma que o BC percebeu o potencial impacto na alta das commodities nos preços e que resolveram “sair na frente”.

“Com os instrumentos que a gente tem hoje na modelagem que nós temos, o correto era começar [o ciclo de alta de juros] mais rápido e usá-lo parcialmente. Se em algum momento entendermos que precisa ser diferente, a linguagem parcial não mais será usada”, disse Campos Neto.

No comunicado do Copom, foi utilizado o termo “processo de normalização parcial do estímulo monetário”. Segundo Campos Neto, caso o cenário mude, a autoridade pode ir em em direção ao juro neutro —taxa que estimula o crescimento sem resultar em aumento da inflação, que hoje seria em torno de 6,5%. E, de de acordo com o economista, os preços das commodities já estão cedendo.

Até abril deste ano, o IPCA (índice oficial de inflação do país) no período de 12 meses foi de 6,76%, acima do teto da meta de inflação de 2021. O centro da meta deste ano é de 3,75%, com limite de 5,25%. A taxa de 6,76% é a maior desde novembro de 2016.

“É importante esclarecer que a nossa meta de inflação vai ser cumprida, essa é a missão do BC. Por isso fizemos mais que o mercado entendia anteriormente e vamos seguir nesse caminho.”

Campos Neto também comentou o IPCA-15 (prévia da inlfação) divulgado nesta terça. O índice subiu 0,44% em maio, após ter aumentado 0,60% em abril, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Essa é a leitura mais elevada para o mês desde 2016, quando o índice atingiu 0,86%.Enquanto isso, a taxa acumulada em 12 meses até maio disparou a 7,27%, acima dos 6,17% observados no mês anterior.

“A inflação vem um pouco mais baixa, grande parte [por causa da queda dos preços] das passagens aéreas, e o mercado esperava números mais altos, com reajuste de 10% dos medicamentos.”

Segundo ele, além das commodities, a disrupção nas cadeias por conta da pandemia também já mostra uma correção, o que pode aliviar a inflação.

"Não acho que vai haver uma inflação gigante no mundo.”

Campos Neto também falou sobre a vacinação contra a Covid-19. “É um elemento fundamental na reabertura [da economia]. O Brasil tem acelerado, o Brasil tem uma infraestrutura boa para vacinar, mas não posso falar muito mais, porque esse é um assunto do Ministério da da Saúde”.

Outro ponto foi a regulação de criptomoedas. A autoridade vê como equivocada a tentativa de demais bancos centrais de regular determinados ativos, como o bitcoin, e não o mercado como um todo. “Regular o ativo é irrelevante, é mais importante o network [rede, em português], que vai prevalecer”.

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.