Consumo das famílias recua 0,1% no primeiro trimestre, e investimento sobe 4,6%

Queda coincide com fim do auxílio emergencial, retomado em abril

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Rio de Janeiro e São Paulo

Motor da economia brasileira, o consumo das famílias perdeu fôlego e teve variação negativa de 0,1% no primeiro trimestre de 2021, em relação aos três últimos meses de 2020. O dado foi divulgado nesta terça-feira (1º) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O consumo das famílias é o principal componente do PIB (Produto Interno Bruto) sob a ótica da demanda, respondendo por 62,7% do cálculo do indicador.

A retração de 0,1% veio após avanço de 3,2% no quarto trimestre do ano passado. A perda de fôlego do consumo entre janeiro e março coincidiu com a suspensão do auxílio emergencial, que protegeu a renda de trabalhadores prejudicados pela pandemia em 2020. Os pagamentos do benefício só foram retomados em abril pelo governo federal.

No primeiro trimestre, também houve piora da pandemia no país. A situação provocou restrições a atividades de comércio e serviços, embora as taxas de isolamento tenham ficado menores se comparadas ao início da crise sanitária.

Além das incertezas da pandemia, inflação e desemprego em alta são apontados por especialistas como desafios para a recuperação consistente do consumo.

“O aumento da inflação pesou, principalmente, no consumo de alimentos ao longo desse período. O mercado de trabalho desaquecido também. Houve ainda redução significativa nos pagamentos dos programas do governo às famílias, como o auxílio emergencial”, afirmou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

INVESTIMENTOS

Os investimentos produtivos na economia brasileira, a chamada Formação Bruta de Capital Fixo, cresceram 4,6% no primeiro trimestre, em relação ao trimestre anterior. A expansão foi de 17% na comparação com o mesmo período do ano passado.

De acordo com a instituição, os investimentos cresceram influenciados pelo aumento na produção interna de bens de capital e no desenvolvimento de softwares e pela alta na construção.

Também foram impulsionados pelos impactos do regime aduaneiro especial que permite ao setor de petróleo e gás importar bens de capital sem pagar tributos federais. Entre eles, plataformas.

Segundo cálculos do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), o crescimento na comparação anual estaria mais próximo de 10% sem o efeito contábil da importação desses bens.

O regime aduaneiro permite que as plataformas possam ser consideradas ativos permanentes das petroleiras instaladas no país, e não mais prestação de serviços pagos a subsidiárias ou fornecedores no exterior.

Embora essa contabilização possa alterar o peso dos componentes do PIB, ela não muda o resultado do total, uma vez que o mesmo valor entra como importação, o que reduz o valor do PIB.

De acordo com a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, mesmo sem o efeito da importação de plataformas, o investimento teria mostrado crescimento expressivo.

Também nesta terça, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgou o detalhamento mensal do seu indicador de investimento que, segundo a instituição, voltou a ser afetado pelas operações envolvendo importações de plataformas de petróleo.

Segundo o Ipea, a produção nacional de máquinas cresceu 7% no acumulado do ano até março, enquanto as importações desses bens avançaram 98%. Na construção, o crescimento foi de 1,4%. Os demais componentes, que incluem software, cresceram 5%.

De acordo com o IBGE, a taxa de investimento chegou a 19,4% do PIB, acima da observada no mesmo período de 2020 (15,9%). Ainda está abaixo, no entanto, do patamar de 20,7% registrado antes da recessão de 2014-2016.

O PIB sob a ótica da demanda contempla ainda exportações, importações e consumo do governo.

As exportações subiram 3,7% no primeiro trimestre. Os embarques vêm sendo beneficiados pelo dólar alto e por sinais de reação na economia mundial.

Já as importações, que ficam mais caras com a moeda americana em patamar elevado, tiveram crescimento de 11,6% entre janeiro e março. O indicador também registrou impacto do Repetro, conforme Rebeca.

“Na pauta de importações, destacaram-se os produtos farmoquímicos para a produção de vacinas contra a Covid-19, máquinas e aparelhos elétricos e produtos de metal. Entre as exportações, foram os produtos alimentícios e veículos automotores”, disse a analista.

Por fim, o consumo do governo teve variação negativa de 0,8% no primeiro trimestre, em relação ao final de 2020.

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.