Merkel aceita restringir pedidos de asilo na Alemanha para manter governo

País criará centros para solicitantes na fronteira; chanceler cede para não perder aliado

Merkel aparece com a boca aberta como se estivesse falando, do peito para cima. Ela está em um local com fundo azul, com a marca d'água de seu partido, a CDU.
A chanceler alemã, Angela Merkel, comunica o acordo com a CSU sobre a restrição nos pedidos de asilo no país - Hannibal Hanschke/Reuters
Berlim | AFP, Associated Press e Reuters

A chanceler alemã, Angela Merkel, aceitou nesta segunda-feira (2) reduzir o número de migrantes solicitantes de asilo no país para conseguir salvar sua coalizão de governo.

Líder da União Democrata Cristã (CDU), a chefe de governo se comprometeu com Horst Seehofer, da União Social Cristã da Bavária (CSU), a instalar centros de trânsito para abrigar os estrangeiros na fronteira com a Áustria.

Os postulantes ao asilo político serão obrigados a permanecer nos abrigos até que a tramitação do pedido termine. Antes, o governo alemão permitia que eles circulassem pelo país enquanto o governo analisava a solicitação.

Em caso de negativa alemã, eles retornarão aos países da União Europeia por onde entraram, conforme acordos. A cessão ao parceiro de governo deu fim à política de acolhida de refugiados pela qual Merkel foi elogiada.

Ela, porém, comemorou ter chegado, “depois de uns dias difíceis e umas duras negociações”, ao acordo. “O espírito de parceria na União Europeia é preservado e ao mesmo tempo é um passo importante para ordenar [a entrada dos imigrantes].”

Seehofer também elogiou o entendimento com a chanceler. “Este acordo muito sólido, que corresponde às minhas ideias, permite que eu permaneça no cargo de ministro do Interior”, disse ele.

O ministro chegou a oferecer sua demissão no domingo (1º), mas retomou a negociação. No início, ele pedia que fossem barrados todos os imigrantes registrados em outro país da UE e ameaçou tomar a medida unilateralmente.

Caso isso acontecesse, levaria a um veto de Merkel e à saída da CSU do governo. Os dois líderes estão em conflito desde 2015, quando Merkel abriu as fronteiras alemãs para 1 milhão de refugiados em meio à crise na Europa.

Apesar do acordo, a questão migratória pode ressurgir principalmente nas eleições regionais de outubro na Baviera, nas quais a CSU poderia perder sua maioria absoluta com o crescimento da extrema-direita.

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