Descrição de chapéu Governo Trump

Entidades conservadoras seriam novo alvo de hackers russos, diz Microsoft

Segundo relatório, inteligência de Moscou atuou contra institutos que romperam com Trump

Júlia Zaremba
Washington

A unidade de inteligência militar da Rússia, investigada por sua influência nas eleições americanas de 2016, teria como novo alvo organizações conservadoras dos Estados Unidos que romperam com Trump e buscam sanções contra Moscou.

Um relatório da Microsoft Corporation afirma que a unidade de crimes digitais da empresa apreendeu na última semana seis domínios de internet controlados por um grupo chamado Strontium, ligado ao governo russo, que imitavam páginas do Hudson Institute e do International Republican Institute, think tanks baseados em Washington.

O objetivo das páginas era enganar usuários e redirecioná-los para outros sites, por meio dos quais roubavam senhas e outras informações. A Microsoft também encontrou endereços que imitavam a página do Senado americano.

Foto de 2017 mostra evento da Microsoft, que fez um relatório sobre a atuação de hackers russos conta sites de institutos conservadores - Altaf Qadri/AP

Segundo a empresa, nos últimos dois anos, 84 páginas falsas associadas ao Stronium foram encerradas. A transferência dos domínios de terceiros para seus próprios servidores é feita por meio de ordens judiciais, tática legal adotada pela divisão de segurança da companhia.

O Hudson Institute já promoveu eventos analisando a ascensão da cleptocracia em governos em todo o mundo, tendo a Rússia como alvo preferencial, e discussões sobre cibersegurança.

Em julho, durante evento na organização, o diretor de inteligência nacional dos Estados Unidos, Daniel Coats, disse que "a Rússia tem sido o ator estrangeiro mais agressivo, sem dúvida", em meio a uma discussão sobre ciberataques.

Já o International Republican Institute, que recebe financiamento do Departamento de Estado e da Agência para o Desenvolvimento Internacional, trabalha há décadas pela promoção da democracia em todo o mundo.

No seu corpo de diretores, há senadores republicanos e um candidato ao Senado. Alguns deles criticaram a cúpula realizada entre Trump e Putin em Helsinque, na Finlândia, no último mês.

Daniel Twining, presidente do instituto, afirmou nesta segunda que "os ciberataques se tornaram uma das ferramentas preferidas de autoritários em todo o mundo para importunar e minar organizações independentes e governos democráticos.

"Essa última tentativa é consistente com a campanha de intromissão que o Kremlin travou contra organizações que apoiam a democracia e os direitos humanos", disse. "É claramente projetada para semear confusão, conflito e medo entre aqueles que criticam o regime autoritário de Putin."

Além das duas organizações republicanas, instituições como o Council on Foreign Relations, o Eurasia Group e o New Center for American Security também já foram vítimas de ataques semelhantes conduzidos por hackers russos, em meio à campanha presidencial de 2016.

"A ampliação das ameaças cibernéticas aos dois partidos políticos dos Estados Unidos deixa claro que o setor de tecnologia precisa fazer mais para ajudar a proteger o processo democrático", afirmou Brad Smith, presidente da Microsoft, em comunicado, fazendo alusão ao ataque dos russos contra emails do partido democrata durante o pleito de 2016.

Para reforçar a proteção a candidatos e campanhas políticas às vésperas das eleições legislativas de novembro, bem como a "think tanks" e organizações, a Microsoft lançou uma iniciativa chamada "AccountGuard", por meio da qual oferecerá tecnologia de segurança digital de forma gratuita para esses usuários.

"Temos que trabalhar assumindo que os ataques se ampliarão ainda mais", disse Smith, destacando que não tem evidências de que as tentativas de roubo de informações por meio dos domínios de internet foram bem-sucedidas.

O governo russo afirmou não entender as alegações da Microsoft. "Não sabemos de quais hackers eles estão falando", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. "Não entendemos qual prova e qual base eles têm para chegar a esse tipo de conclusão", acrescentou.

No domingo (19), John Bolton, conselheiro de Segurança Nacional de Trump, afirmou que China, Irã e Coreia do Norte também seriam ameaças para a eleição americana de novembro. Mas a Microsoft não encontrou ações realizadas por esses países ligadas a eleições.

Outras empresas estão se empenhando em responder de forma mais agressiva às ameaças de interferência estrangeira do que há dois anos. O Facebook, por exemplo, fechou 32 contas falsas e páginas ligadas a russos que estariam espalhando desinformação em meio ao pleito de 2016.

​Em julho, o procurador especial Robert Mueller indiciou 12 agentes de inteligência russos por hackearem emails do Comitê Nacional Democrata e a campanha de Hillary Clinton durante o pleito de 2016.


 

Com Reuters

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