Merkel diz que 'ódio nas ruas' não pertence à Alemanha

Ministro oferece reforço policial a cidade afetada por protestos xenofóbicos

Berlim | AFP, Reuters e Associated Press

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou nesta terça-feira (28) que o "ódio nas ruas" não pertence à Alemanha, após manifestações xenofóbicas em Chemnitz, no leste do país.

"O que vimos não cabe em um estado de direito", afirmou Merkel em entrevista coletiva em Berlim. "Vimos caças coletivas, vimos o ódio nas ruas, e isso não tem nada a ver com o estado de direito." 

Policiais patrulham ruas de Chemnitz, no leste da Alemanha - Sebastian Willnow - 27.ago.18 / dpa / AFP

O ministro do Interior, Horst Seehofer, disse que o governo federal está pronto para oferecer reforço ao estado da Saxônia, onde fica Chemnitz. 

Os protestos começaram após um homem ter sido esfaqueado em briga de rua. Um iraquiano e um sírio foram detidos, motivando as manifestações em que migrantes foram assediados e atacados.

Seehofer disse que, embora a preocupação com o esfaqueamento seja compreensível, não há lugar na sociedade alemã para a defesa da violência.

"A polícia na Saxônia está numa situação difícil. Se requisitado, o governo federal está pronto para disponibilizar medidas de apoio policial", afirmou.

Merkel apoiou a declaração do ministro. "Se a Saxônia precisar de ajuda para manter a lei e a ordem, o governo federal está pronto." 

O chefe da polícia da Saxônia, Jürgen Georgie, afirmou que as autoridades locais haviam subestimado o tamanho do protesto, prevendo cerca de mil pessoas.  Mas cerca de 600 policiais tiveram de conter 6.000 simpatizantes da extrema-direita que pressionavam as barreiras policiais. 

Imagens de vídeo mostram manifestantes fazendo saudações nazistas e cantando slogans como "a resistência nacional está marchando aqui". 

Michael Kretschmer, premiê da Saxônia e aliado de Merkel, afirmou que a propagação de notícias falsas contribuiu para o crescimento dos protestos.

"Acreditamos que ao menos algumas convocações [para os protestos] que circularam online eram baseadas em informações falsas, ou fake  news", afirmou.

Ele citou como exemplo um relato que se espalhou pelas redes sociais de que o homem de 35 anos que foi esfaqueado estava defendendo uma mulher de imigrantes,  mas não há evidências que apoiem essa versão. ​

Outra manifestação, a terceira desde o fim de semana, está prevista para esta terça em Dresden, capital da Saxônia. 

O estado da Saxônia há muito é palco de sentimentos anti-imigração. O partido nacionalista Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve a maior votação no estado nas eleições do ano passado e quase um quarto dos votos em Chemnitz. 

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