Xi Jinping se reúne com Kissinger e pede respeito às escolhas da China

Líder defendeu que conflitos comerciais sejam resolvidos com negociações

Pequim

Xi Jinping, presidente da China, se encontrou nesta quinta-feira (8) com Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos EUA, e pediu que seja respeitado o direito de seu país de buscar o desenvolvimento de acordo com o caminho que achar melhor.

"A China segue no caminho do desenvolvimento pacífico, e ainda está comprometida a construir um relacionamento com os Estados Unidos sem conflitos e confrontos, com respeito mútuo e cooperação para que os dois ganhem", disse Xi, durante a reunião em Pequim. 

Henry Kissinger e Xi Jinping durante encontro em Pequim - Thomas Peter/AFP

O líder pediu aos Estados Unidos que respeitem os direitos da China de buscar seu crescimento e seus interesses, que os dois países procurem chegar a um meio-termo nas questões em debate e que não deixem as relações bilaterais se deteriorarem. 

Em guerra comercial, China e EUA criaram tarifas sobre centenas de bilhões de dólares em mercadorias que comercializam entre si. O presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou criar ainda mais taxas de importação caso a disputa comercial entre os dois lados não se resolva.

O governo Trump também acusa a China de interferir na política dos EUA, o que Pequim nega. Há também embates sobre áreas no mar do Sul da China e sobre Taiwan.

Trump e Xi terão um encontro paralelo durante a reunião de cúpula do G20, marcada para o fim de novembro na Argentina. Durante  o evento desta quinta, Xi disse que ele e o líder americano deverão ter uma "profunda troca de visões" e que os dois países devem avaliar corretamente as estratégias um do outro. O presidente acrescentou que a China quer resolver as questões por meio da negociação.

Na semana passada, os dois presidentes conversaram por telefone e o resultado foi considerado positivo. Nesta sexta-feira (9), haverá uma reunião de alto nível sobre segurança, que havia sido adiada. 

Xi chamou de Kissinger, 95, de velho amigo dos chineses e citou a contribuição feita por ele para fortalecer as relações entre China e EUA. "Nós não vamos esquecer disso".

Kissinger disse acreditar que o encontro entre Xi e Trump será um sucesso e apontou que as relações entre os dois países demandam pensamento estratégico e mais clareza sobre as necessidades um do outro.

Ele foi secretário de Estado nos anos 1970 e foi um dos homens mais poderosos dos Estados Unidos na época. Uma de suas principais conquistas foi reatar as relações entre EUA e China, obtidas após ele realizar uma viagem ao país asiático, de forma secreta. 

O então secretário também realizou ações no Oriente Médio, como a mediação que levou ao fim do conflito entre Israel e Egito, e na América Latina, onde deu apoio a ditaduras militares.  Em 1973, Kissinger recebeu o prêmio Nobel da Paz, pelas negociações que levaram ao fim da guerra com o Vietnã.

Reuters
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