Pacote de bondades de Macron custará até 10 bilhões de euros e pesará sobre déficit francês

Presidente aumentou salário mínimo para tentar conter 'coletes amarelos'

Paris

As medidas anunciadas pelo presidente da França, Emmanuel Macron, para tentar apaziguar os milhares de “coletes amarelos” que tomam há semanas rodovias e ruas do país custarão entre 8 e 10 bilhões de euros (entre R$ 35 bilhões e R$ 44 bilhões) aos cofres públicos.

O pacote de bondades divulgado pelo centrista em cadeia nacional nesta segunda-feira (10) inclui o aumento de 100 euros (R$ 442) do salário mínimo, hoje na casa dos 1.500 euros (R$ 6.600), a desoneração dos pagamentos por jornada suplementar e a suspensão do reajuste de um tributo sobre a aposentadoria de quem recebe até 2.000 euros (R$ 8.800) por mês.

A recuperação do poder aquisitivo da classe trabalhadora se consolidou ao longo dos protestos como principal reivindicação do movimento, que inicialmente se articulou em torno da rejeição à alta de um imposto sobre combustíveis.

​Como menos crescimento equivale a menor arrecadação tributária, já há quem preveja um impacto agudo na proporção do déficit em relação ao Produto Interno Bruto, que subiria 0,6 ponto percentual em 2019.

Se esse cenário se concretizar, o país chegará a um saldo negativo de cerca de 3,5% em relação às riquezas produzidas, superando sensivelmente o teto de 3% que acende o alerta vermelho das autoridades europeias.

A título de comparação, a Itália sofre atualmente a ameaça de sanções por parte da Comissão Europeia por causa de uma previsão orçamentária para 2019 que leva em conta um déficit de 2,4% do PIB. A dívida pública italiana, porém, é a segunda maior da zona euro, atrás apenas da grega: corresponde a 131% do PIB. 

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