EUA e China anunciam trégua na guerra comercial

Trump e Xi concordaram em não impor novos impostos um ao outro por 90 dias

O presidente americano Donald Trump, e o presidente chinês Xi Jinping participam de jantar após cúpula do G20, na Argentina
O presidente americano Donald Trump, e o presidente chinês Xi Jinping participam de jantar após cúpula do G20, na Argentina - Kevin Lamarque/Reuters
Sylvia Colombo
Buenos Aires

Os EUA e a China anunciaram oficialmente terem atingido uma trégua temporária na guerra comercial que vem abalando o comércio internacional nos últimos meses. Ela durará 90 dias e começará a valer a partir de 1º de janeiro.

Após o término do G20, na noite de sábado (1º), os líderes Donald Trump e Xi Jinping reuniram-se com suas equipes num jantar fechado no luxuoso Palácio Duhau, em Buenos Aires, para tratar do tema.

Havia muita expectativa dos outros líderes. O próprio anfitrião da festa, o argentino Mauricio Macri, quando questionado sobre se havia consenso sobre a disputa comercial, disse: “Estamos todos esperando ansiosamente pelo que acontecerá em algumas horas”, referindo-se ao jantar.

A guerra comercial entre as duas potências atinge principalmente as economias emergentes muito dependentes do dólar, e a Argentina é uma delas. O que Macri chamou de “tormenta internacional”, que levou o peso argentino a perder 55% de seu valor neste ano, está relacionado a esse enfrentamento.

O jantar estava previsto para ser rápido, mas acabou durando duas horas. Logo após, a TV estatal chinesa anunciou a trégua, em que nenhum dos dois países imporia impostos novos um ao outro e que ambos continuariam negociando neste período, para tentar chegar a um acordo definitivo.

Horas depois, comunicado oficial da Casa Branca divulgou que Trump manteria as tarifas sobre as importações da China em 10% e que o compromisso firmado era de não elevar as taxas a 25% dentro do prazo estipulado. O texto diz ainda que a China se prontificou a comprar produtos agrícolas e industriais dos EUA com o objetivo de “minimizar o desequilíbrio comercial entre os dois países”.

Pequim também passará a classificar o fentanil, responsável pela epidemia de mortes por opioides nos EUA, como droga de venda controlada.

No início do jantar, Xi afirmou que “a cooperação entre nossas duas nações é de interesse para manter a paz e garantir a prosperidade do planeta”. Já Trump, a bordo do Air Force One, disse a repórteres que o acordo atingido era “um acordo incrível. Se pudermos concretizá-lo será um dos mais amplos e importantes que já fizemos”. E acrescentou: “Vamos segurar os impostos, e a China vai se abrir. Além disso, eles comprarão muitos produtos dos EUA”.

Neste domingo (2), Macri recebeu Xi na residência oficial de Olivos, onde ambos mantiveram uma reunião de trabalho, um almoço e fizeram breves declarações à imprensa.

Macri disse que o líder chinês já estava se transformando num “fanático pela Argentina”. Ambos assinaram mais de 30 acordos de comércio, incluindo a retirada de impostos para produtos agropecuários argentinos, além do investimento chinês em obras de infraestrutura para conexão das províncias argentinas.

Xi disse que seu país completa 40 anos de reformas, e que, neste período, 750 milhões de pessoas saíram da pobreza. “Em 2020 não haverá mais pobres na China”, prometeu. E acrescentou que a Argentina, como país produtor de alimentos, terá um “mercado cada vez maior em seu país”.

Já Macri demonstrou querer sair da saia-justa da bilateral com Trump, na sexta, quando o americano disse que a China atuava de “modo predatório”. Nos dias seguintes, apesar de um comunicado da Casa Branca afirmar que ambos os mandatários compartilhavam essa visão, a chancelaria argentina reforçou que o comentário de Trump não era a visão do governo Macri. “Somos países complementares, e estamos cada vez mais próximos”, afirmou Macri sobre a China neste domingo.

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