Descrição de chapéu Venezuela

Novo balanço aponta 35 mortes em decorrência dos protestos na Venezuela

De acordo com ONGs, outras 850 pessoas foram detidas pelas forças de segurança

Caracas | AFP

Ao menos 35 pessoas foram mortas e 850 detidas na Venezuela na última semana em decorrência dos protestos contra o ditador Nicolás Maduro, segundo um balanço apresentado nesta segunda (28) por entidades de direitos humanos. 

"Temos um número confirmado —com nome, sobrenome, local e nome do suposto responsável [pela morte]— de 35 pessoas assassinadas no contexto das manifestações" desde a última segunda (21), disse Rafael Uzcátegui, diretor da ONG Provea (Programa Venezuelano de Educação e Ação em Direitos Humanos). 

Em entrevista coletiva, ele disse ainda que há registro de oito "execuções extrajudiciais" realizadas em bairros pobres. As ações teriam sido feitas por agentes da força de ações especiais da polícia.  

A maior parte das mortes ocorreu em Caracas (dez), seguida dos estados de Bolívar (8) e Portuguesa (4), disse à agência AFP Marco Ponce, coordenador do OVCS (Observatório Venezuelano de Conflito Social), que tem acompanhado regularmente o número de vítimas nos protestos. 

Já o diretor da ONG Foro Penal, ​Alfredo Romero, confirmou que 850 pessoas foram detidas pelas forças de segurança, sendo 77 menores de idade. Ele disse ainda que agentes têm realizado invasões "em casas de famílias pobres, sem nenhum tipo de ordem judicial" para realizar as prisões. 

Com isso, a ONG subiu para 976 o número do que classifica como "presos políticos" no país. 

A tensão política na Venezuela aumentou desde o início do ano, quando Maduro assumiu seu novo mandato como presidente. Sua eleição, porém, não foi reconhecida pela Assembleia Nacional, de maioria opositora, que o classificou como usurpador — EUA, União Europeia e Brasil também não reconhecem o ditador. 

Os protestos contra o ditador começaram na segunda, no mesmo dia em que um grupo de 27 militares se rebelarem contra o regime e acabarem sendo detidos. As maiores manifestações, porém, ocorreram na quarta (23), quando o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autodeclarou presidente interino.  

Guaidó prometeu inclusive uma anistia para os militares que ajudarem a derrubar Maduro, mas até o momento a cúpula das Forças Armadas se mantém leal ao ditador. 

Militares com capacete e escudo estão lado a lado
Militares fazem a segurança de prédio no centro de Caracas - Carlos Barria/Reuters

Com uma inflação que deve ultrapassar 10.000.000% no ano, segundo previsão do FMI (Fundo Monetário Internacional), a Venezuela vive uma crise de desabastecimento, com falta de remédios e alimentos.

Por isso, mais de 3 milhões de venezuelanos já deixaram o país, a maioria emigrando para países próximos, como a Colômbia, o Equador, o Peru e o Brasil. 

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