Descrição de chapéu Venezuela

Sete sargentos venezuelanos desertaram para o Brasil desde o fim de semana

Três deles chegaram a Pacaraima no sábado e no domingo e quatro cruzaram a fronteira na segunda

Pacaraima (Roraima) | AFP

Mais quatro sargentos venezuelanos desertaram e cruzaram a fronteira com o Brasil nesta segunda-feira (25) em Pacaraima, Roraima. Assim que passaram para o lado brasileiro, eles convocaram seus companheiros de farda a fazerem o mesmo para forçar a queda do ditador Nicolás Maduro. 

No total, são sete os sargentos venezuelanos que fugiram para o Brasil desde o fim de semana —os outros três cruzaram a fronteira no sábado e no domingo. Além disso, 167 militares e policiais abandonaram o país e foram para a Colômbia em dois dias.

Também chegou a Pacaraima um policial municipal acompanhado da esposa e de três filhos, após percorrem a pé por cerca de cinco horas uma trilha alternativa para cruzar os limites entre os dois países, já que a fronteira oficial está fechada desde a quinta-feira passada por ordem de Maduro.

Sargentos da Guarda Nacional da Venezuela, Jean Carlos César Parra (E), Carlos Eduardo Zapata (C) e Jorge Luis González Romero (D), que desertaram em Pacaraima
Sargentos da Guarda Nacional da Venezuela, Jean Carlos César Parra (E), Carlos Eduardo Zapata (C) e Jorge Luis González Romero (D) desertaram em Pacaraima entre sábado e domingo - Ricardo Moraes - 24.fev.19/REUTERS

Os quatro militares que chegaram nesta segunda disseram à imprensa que fugiram na noite anterior pelas montanhas e se esconderam durante várias horas na mata, até serem encontrados por militares brasileiros. Um deles estava em condições de desnutrição, informou uma fonte militar. 

"Não queremos ficar marcados na história como assassinos, por isso fugimos", disse o sargento Moreno Peñaloza. 

Eles convocaram seus companheiros na Venezuela a "desertar da tirania de Nicolás Maduro" e manifestaram desejo de ir para Cúcuta, na Colômbia, para se reunir com outros companheiros de armas que também abandonaram as fileiras de Maduro.

O policial municipal que chegou com a família é César Marcano, 22.  O jovem casal levou cinco horas para fazer o percurso, com os bebês em seus braços, enquanto a filha mais velha também caminhava sob as altas temperaturas tropicais da região. "Ganhava apenas 18 mil bolívares e gastava 10 mil em um pacote de fraldas", contou Marcano. 

As deserções acontecem após uma frustrada operação internacional de entrega de ajuda humanitária organizada pela oposição política a Maduro. 

"Nos quarteis militares, não há comida. Não tem colchões. Nós, sargentos da Guarda Nacional, estamos dormindo no chão", contou o sargento Carlos Eduardo Zapata, que chegou a Pacaraima na manhã de domingo.

A fronteira entre os dois países viveu horas intensas no fim de semana, com o fechamento decretado por Maduro para impedir a entrada de alimentos e remédios doados pelos Estados Unidos e pelo Brasil.

Manifestantes venezuelanos em território brasileiro jogaram pedras e coquetéis molotov contra integrantes da Guarda Nacional Bolivariana. Os confrontos rapidamente foram controlados. 

Os militares brasileiros criaram um cordão de segurança, que foi mantido nesta segunda-feira, para diminuir a tensão no local.

O presidente Jair Bolsonaro se reuniu pela manhã em Brasília com o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, e membros do alto-comando militar. 

Essa reunião acontece paralelamente ao Grupo Lima, que está em Bogotá. Participam do encontro representantes dos Estados Unidos e o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, para definir os passos a serem seguidos na crise no país.

Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por 50 países, entre eles o Brasil e os EUA, afirmou neste domingo (24) que uma intervenção militar deve ser considerada como opção contra a ditadura de Nicolás Maduro.

Guaidó disse em uma rede social que os acontecimentos do sábado, quando a tentativa de entrada de caminhões de ajuda humanitária na Venezuela foi reprimida, o obrigavam a tomar uma decisão: “Sugeri à comunidade internacional de maneira formal que devemos ter abertas todas as opções para conseguir a libertação desta pátria que luta e seguirá lutando”.

O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, vai participar do encontro do Grupo de Lima desta segunda (25).  O vice-presidente brasileiro, general Hamilton Mourão, vai representar o país. O Brasil pede a aliados que se juntem a um “esforço de liberação” do país sul-americano.

O grupo é formado por 14 países das Américas, dos quais apenas o México não reconhece o líder opositor Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela.

Enquanto isso, o presidente colombiano, Iván Duque, denunciou a "barbaridade e violência" e disse que o encontro vai discutir "como apertar o cerco diplomático contra a ditadura da Venezuela". 

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