Descrição de chapéu Governo Trump

Trump fala em 'negar à Rússia qualquer vantagem militar' ao sair de pacto nuclear

Governo americano acusa Moscou de ter violado o acordo feito durante a Guerra Fria

São Paulo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta sexta (1º) que seu país está suspendendo a participação em um importante acordo de desarmamento com a Rússia e afirmou que irá desenvolver "opções de resposta militar" para a situação.

A promessa de corrida armamentista para "negar à Rússia qualquer vantagem militar decorrente de sua conduta ilegal" foi feita em um comunicado da Casa Branca sobre a saída dos EUA do INF (sigla inglesa para Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário).

O INF, de 1987, foi um dos principais acordos entre americanos e soviéticos no ocaso da Guerra Fria. Ele baniu 1.846 mísseis da União Soviética e 846 dos EUA, todos com capacidade nuclear, estacionados no teatro de guerra europeu, a linha de frente do confronto entre os blocos comunista e capitalista.

Os EUA acusam a Rússia de ter violado o acordo após testar em 2015 o míssil de cruzeiro 9M729, que tem um alcance estimado em 2.000 km, e de tê-lo instalado a partir de 2017 perto das fronteiras europeias. O INF veta qualquer míssil com alcance entre 500 km e 5.500 km na região.

 
Os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin, durante encontro na Finlândia em 2018
Os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin, durante encontro na Finlândia em 2018 - Brendan Smialowski - 16.jul.18/AFP

A Rússia nega a violação, afirmando que o míssil é lançado de aviões ou navios, e não do solo, como o INF proíbe. O presidente russo, Vladimir Putin, convocou uma reunião de seu Conselho de Segurança Nacional para discutir o caso, mas o Kremlin foi comedido em sua reação, afirmando apenas que a medida americana era esperada.

Segundo informou o secretário de Estado, Mike Pompeo, os EUA suspenderão o cumprimento de suas obrigações e darão seis meses para uma resposta russa a respeito de seu míssil. Caso ela não venha, como quase certamente não virá, Washington deixará definitivamente o acordo.

O problema maior é político, ainda que russos tenham acusado os EUA de aproximarem o "mundo da destruição, como disse Konstantin Kosatchev, chefe do Comitê de Assuntos Exteriores do Conselho da Federação.

Militarmente, a Europa pode ser dizimada por uma série de outras armas além do 9M729 ou seus similares americanos, chineses, iranianos e europeus. O INF era uma espécie de relíquia da Guerra Fria, nesse sentido.

Ao mesmo tempo em que prometeu uma resposta militar "com a Otan e nossos outros aliados e parceiros", Trump também ofereceu a Moscou a possibilidade de um novo diálogo sobre o desarmamento nuclear.

"Estamos prontos para engajar uma negociação de controle de armas com a Rússia. Uma vez que isso esteja feito, talvez desenvolver, pela primeira vez, uma ótima relação nos níveis econômicos, comerciais, políticos e militares", escreveu o presidente.

A Otan, a aliança militar liderada pelos EUA, divulgou um comunicado dizendo que “continua a aspirar uma relação construtiva com a Rússia, quando as ações da Rússia fizerem isso ser possível”.

Por sua vez, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), o português António Guterres, afirmou esperar que tanto EUA quanto Rússia acertem suas diferenças nesses seis meses de prazo e mantenham o INF em vigor. Isso hoje parece improvável.
 

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