Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Doria diz que prefeito de NY 'não fez jus a um regime de liberdade' ao criticar Bolsonaro

Nos EUA, governador afirma que Bill de Blasio 'exacerbou sua condição' com ataques ao presidente

Washington

O governador de São Paulo, João Doria, disse nesta segunda-feira (13) que o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, exacerbou sua condição de político local e "não fez jus a um regime de liberdade".

Os comentários de Doria se referem às críticas que o democrata fez ao presidente Jair Bolsonaro para pressioná-lo a desistir da viagem à cidade para ser homenageado pela Câmara de Comércio Brasil-EUA.

Segundo Doria, o prefeito nova-iorquino cometeu um erro na condução política ao fazer avaliações sobre tendências de um presidente da República de outro país.

O presidente Jair Bolsonaro, à dir., com o governador de São Paulo, João Doria, no Fórum de Governadores, em Brasília
O presidente Jair Bolsonaro, à dir., com o governador de São Paulo, João Doria, no Fórum de Governadores, em Brasília - Pedro Ladeira - 14.nov.19/Folhapress

Com pretensões de se candidatar ao Planalto em 2022, o governador paulista tem alternado postura de alinhamento e distanciamento de Bolsonaro, a depender da gravidade da crise que envolve o presidente.

"Entendo que o prefeito de Nova York exacerbou na sua condição de prefeito ao condenar e fazer manifestações nas redes sociais e na imprensa [contra Bolsonaro]", afirmou Doria antes de almoço com empresários e investidores em Nova York.

"Não cabe a um prefeito de Nova York fazer avaliações sobre esta ou aquela tendência de um presidente da República. Ele [Bill de Blasio] cometeu um erro, exagerou na sua condução política e não fez jus a um regime de liberdade onde Nova York é seu maior símbolo, a partir da própria Estátua da Liberdade que está na entrada da baía da cidade."

Desde o mês passado, Blasio trava disputa direta com Bolsonaro, a quem considera racista e homofóbico. O prefeito comemorou a decisão do presidente de não ir a Nova York receber o prêmio de "Pessoa do Ano", concedido pela Câmara de Comércio Brasil-EUA, e chegou a dizer que o líder brasileiro é um "ser humano muito perigoso".

Bolsonaro cancelou a viagem à cidade após o Museu de História Natural de Nova York se recusar a receber o evento. Uma série de manifestações —de ativistas e políticos americanos— pressionarem os patrocinadores do jantar a não vincularem suas marcas à imagem do presidente brasileiro.

Em nota, o Planalto admitiu que o cancelamento se deu após a pressão do prefeito, e o governo, às pressas, articulou uma viagem ao Texas, para que Bolsonaro tentasse fugir dos protestos e recebesse a homenagem.

Como mostrou a Folha, porém, ativistas e movimentos ligados às causas LGBT, mulheres, negros e indígenas já preparam manifestações para quarta (15) e quinta-feira (16), quando o presidente estará em Dallas.

Em eventos nos EUA, Doria disse que a decisão de não ir a Nova York era do presidente, mas que vê a cidade como um lugar "aberto, da liberdade de expressão e da condição de todos" e que Blasio rompeu esse cenário.

Na manhã desta segunda, o governador visitou a sede do Departamento de Polícia de Nova York e o FBI. Ele afirmou que está desenvolvendo um programa de cooperação entre a polícia americana e as polícias civil e militar de São Paulo nas áreas de tecnologia e inteligência.

Antes de ir ao almoço com empresários, do qual também participaram os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, Doria afirmou que somente após a aprovação da reforma da Previdência os investidores terão "mais confiança para abrirem as comportas para investir em São Paulo e no Brasil".

O projeto enviado pela equipe do ministro Paulo Guedes (Economia) ao Congresso sofre com a resistência dos parlamentares e com a falta de articulação política do Planalto, que ainda não conseguiu montar uma base aliada consistente para aprovar suas medidas consideradas prioritárias.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.