Descrição de chapéu Governo Trump

Trump oficializa novas sanções econômicas contra o Irã

Medidas devem bloquear bilhões de dólares iranianos, diz secretário; tensão entre os lados é crescente

Washington e Riad (Arábia Saudita) | Reuters

O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira (24) uma ordem executiva que impõe novas sanções econômicas ao Irã, em meio a um aumento das tensões entre os dois países.

Trump disse inicialmente que as sanções, que terão como alvo o líder iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, se deram em resposta à derrubada de um drone dos EUA pelo Irã na quinta (20). Mas em seguida o republicano afirmou que as novas punições estavam previstas para serem implantadas antes do episódio da queda do drone.

A ordem assinada nesta segunda deve barrar o acesso de líderes iranianos a instrumentos financeiros, mas detalhes de como isto será executado ainda não foram divulgados.

Segundo o Secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, que estava presente durante a assinatura, as novas medidas bloquearão bilhões de dólares em ativos iranianos.

Donald Trump e o vice Mike Pence (à direita), juntamente com o Secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, assinam novas sanções contra o Irã na Casa Branca - Mandel Ngan/AFP

"Sanções impostas por meio de ordem ​executiva vão negar ao Líder Supremo [do Irã] e ao escritório do Líder Supremo, e àqueles intimamente ligados a ele e ao escritório, o acesso a recursos financeiros essenciais e apoio", disse Trump. "O Irã nunca poderá ter uma arma nuclear", completou.

Trump cometeu uma gafe ao dizer que "os bens de Khomeini não serão poupados das sanções". Ruhollah Khomeini, principal nome da Revolução Islâmica de 1979, foi o líder supremo do Irã até 1989, quando morreu e deu lugar ao atual, Ali Khamenei.

Esta é a segunda rodada de sanções que os EUA impõem contra seu rival neste ano. Em maio, Washington ordenou que países aliados parassem de importar petróleo do Irã. A ideia é estrangular a economia do regime, já que a venda da commodity é a principal fonte de receita do país.

Segundo o New York Times, as novas sanções devem atingir outras fontes de renda, com o objetivo de forçar mudanças políticas na nação. O jornal ressalta, porém, que autoridades iranianas não mantêm ativos substanciais em bancos internacionais ou usam as instituições para fazer transações, o que faz os feitos das medidas anunciadas nesta segunda serem mínimos. 

Trump quer que Teerã abra negociações sobre seus programas nucleares e de mísseis, bem como suas atividades militares na região.

A primeira mudança seria dar limites estritos ao desenvolvimento do programa nuclear do país —que poderia evoluir a ponto de produzir armamentos. A segunda seria impedir o apoio do Irã a milícias árabes na região —o país é aliado do grupo rebelde do Iêmen houthi, de quem se vale para atacar a Arábia Saudita, sua inimiga.

A tensão entre os países vem crescendo desde que Washington se retirou, no ano passado, de um acordo nuclear firmado com Teerã e outras potências em 2015.

O governo de Trump disse que o acordo fechado com seu antecessor, o presidente Barack Obama, não fez o suficiente para conter o avanço nuclear do país do Oriente Médio. Mas a Agência Internacional de Energia Atômica da ONU diz que o Irã vinha cumprindo os pontos do acordo. 

Em maio, quatro petroleiros da Arábia Saudita —aliada americana— foram atacados na mesma região, e os EUA afirmaram que era provável que o Irã fosse o responsável. No início deste mês, dois navios petroleiros sofreram ataques no estreito de Hormuz. Os EUA culparam o Irã, que negou a autoria. 

Na quinta (20), o Irã abateu um drone espião americano que, segundo a versão do país, sobrevoava espaço aéreo internacional. Mas Teerã afirma que a aeronave estava em espaço aéreo iraniano. 

Em resposta, Trump chegou a ordenar ataques aéreos contra o país, mas mudou de ideia no último minuto ao ser informado de que 150 mortes poderiam ser causadas. Ele considerou a resposta desproporcional à derrubada do drone.

Em vez de um ataque convencional, o revide americano veio em forma de uma ofensiva cibernética que desabilitou sistemas computadorizados iranianos usados para controlar lançamentos de mísseis e foguetes. Contudo, o Irã considerou tais ataques um fracasso.

Não houve reação imediata na mídia oficial iraniana em resposta à imposição das novas sanções, mas no fim de semana a agência de notícias estatal IRIB citou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Abbas Mousavi, dizendo que quaisquer punições adicionais seriam "apenas propaganda" e que "não há mais sanções sobrando".

Mnuchin disse que o chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif, será alvo de sanções dos EUA no final da semana.

As sanções também foram impostas a oito comandantes da Marinha, Aeronáutica e Forças Terrestres da Guarda Revolucionária do Irã, informou o Departamento do Tesouro dos EUA. Eles culpam os comandantes pela "sabotagem de embarcações comerciais em águas internacionais" e pelo "provocativo programa de mísseis balísticos".​

Os EUA afirmam não querer entrar em guerra. Trump disse estar aberto a conversas com líderes iranianos, mas Teerã rejeitou tal oferta a menos que Washington abandone as sanções.

 
Aliados dos Estados Unidos pedem medidas para amainar a crise, dizendo que temem que um pequeno erro de qualquer um dos lados possa desencadear uma guerra entre os rivais históricos.

"Não achamos que nenhum dos lados queira uma guerra, mas estamos muito preocupados que possamos entrar em um conflito acidental, e estamos fazendo todo o possível para acalmar as coisas", disse o Secretário de Relações Exteriores britânico, Jeremy Hunt.

Em viagem de última hora, o Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, encontrou-se nesta segunda com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, e com seu pai, o rei Salman, para discutir a situação na região.

O Secretário de Estado americano, Mike Pompeo, em encontro com o príncipe da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman - Jacquelyn Martin/AFP
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