Rebeldes do Iêmen confirmam retirada iminente no oeste do país

País está em guerra civil há mais de quatro anos e passa por crise humanitária

Rebeldes huthi em cerimônia de retirada do porto de Hodeidah
Rebeldes huthis em cerimônia de retirada do porto de Hodeida - AFP
 
Sanaa (Iêmen) | AFP

Os rebeldes huthis do Iêmen confirmaram neste sábado (11) o início de uma retirada unilateral em três portos no oeste do país. Desde 2018, a região tem sido eixo do confronto com a coalizão governamental.

A ação havia sido estabelecida durante negociações em dezembro, na Suécia, com a mediação da ONU. No acordo, a retirada estava agendada para começar na manhã deste sábado, afirmou um dos líderes da rebelião no Iêmen, Mohamed Ali al Huthi.

Ele explicou que a "retirada unilateral" dos rebeldes é uma reposta à "recusa" por parte da coalizão pró-governo, apoiada pela Arábia Saudita, de aplicar este acordo. Ainda acusou Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Reino Unido, grupo que chamou de "países da agressão".

A ONU antecipou na sexta-feira (10) que os rebeldes deixariam os portos de Hodeida, Salif e Ras Issa, no Mar Vermelho.

Se for confirmado, o acordo para a retirada na região de Hodeida representaria a melhor oportunidade até o momento de fazer a paz avançar no Iêmen. 

Hodeida é a principal porta de entrada para as importações e a ajuda humanitária no Iêmen, vital para milhões de pessoas à beira da fome. O país tem sido cenário de um conflito violento há mais de quatro anos.

Anunciada em diversas ocasiões pela ONU, a retirada efetiva dos combatentes levará tempo para ser concretizada. Uma missão de observação, liderada pelo general dinamarquês Michael Lollesgaard, deve monitorar e informar sobre o reposicionamento das forças huthis.

O governo iemenita também celebrou o anúncio da retirada, mas expressou dúvidas sobre a aplicação efetiva.

"Saudamos toda medida com o objetivo de aplicar o acordo da Suécia para a retirada dos portos da província de Hodeida, mas advertimos sobre as tentativas da milícia [dos huthis] de enganar a comunidade internacional", declarou o ministro iemenita da Informação, Muamar Al Iryani.

O ministro afirmou que o acordo prevê, em um primeiro momento, a saída dos huthis de Salif e Ras Issa, além da entrega à ONU de mapas detalhados sobre as minas deixadas na região.

Em seguida aconteceria a retirada dos huthis de Hodeida e das forças governamentais de uma área denominada Kilo 8, assim como a entrega de mapas para a retirada de minas.

Iryani declarou que qualquer retirada unilateral rebelde sem controle e verificação conjunta seria um "truque e não poderia ser aceito".

Histórico

A guerra no Iêmen opõe as forças do governo, apoiadas militarmente por Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, e os rebeldes huthis, que têm o apoio do Irã e controlam amplas zonas do oeste e norte do país, incluindo a capital Sanaa.

A coalizão liderada pelos sauditas começou a atuar no Iêmen em março de 2015 para contra-atacar o avanço dos rebeldes e restituir o poder ao presidente Abd Rabbo Mansur Hadi.

Desde 2015, o conflito deixou dezenas de milhares de mortos, em sua maioria civis, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Quase 3,3 milhões de pessoas foram obrigadas a abandonar suas cidades, e 24,1 milhões, o que representa mais de dois terços da população, precisam de assistência, de acordo com a ONU, que denuncia a pior crise humanitária no mundo.

Em abril, o presidente dos EUA, Donald Trump, vetou resolução do Congresso americano que determinava o fim do envolvimento do país no conflito no Iêmen.

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