Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

'Da minha parte', indicação de Eduardo para embaixada está definida, diz Bolsonaro

Presidente reconhece risco de filho ser rechaçado pelo Senado e diz já ter tratado do tema com Davi Alcolumbre

Gustavo Uribe Daniel Carvalho
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro reconheceu nesta terça-feira (16) que a indicação de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para o cargo de embaixador nos Estados Unidos, corre o risco de não ser chancelada pelo Poder Legislativo.

Na saída de reunião ministerial, no Palácio da Alvorada, ele ressaltou, no entanto, que a formalização da indicação já está definida e que, agora, depende apenas de trâmites diplomáticos e tratativas com o Poder Legislativo

"É logico que corre o risco. Tudo que você faz corre o risco de dar certo ou dar errado. Nós estamos tentando acertar", disse. "Se a decisão for essa, o Senado vai sabatiná-lo e vai decidir. E ponto final. Se não for aprovado, ele fica na Câmara."

O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio da Alvorada nesta terça (16)
O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio da Alvorada nesta terça (16) - Adriano Machado/Reuters

Em entrevista à imprensa, Bolsonaro disse que falou rapidamente sobre o assunto, na segunda-feira (15), com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), a quem chamou de "amigo" e "colega de pelada".

Segundo ele, ainda não é possível dizer se a aceitação a Eduardo foi positiva ou negativa na Casa, uma vez que Davi ainda não tratou do assunto com os demais senadores. Na segunda-feira, no entanto, a presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), a senadora Simone Tebet (MDB-MS), disse que a indicação foi o "maior erro" do presidente.

"Da minha parte, está definida [a formalização]. Conversei com ele [Eduardo] novamente antes de ontem. Há interesse. Acho que se tiverem argumentos contrários, que não sejam chulos, eu estou pronto, porque não é nepotismo", disse.

O presidente voltou a dizer que seu filho é qualificado para o posto diplomático e que ele não pode ser criticado por ter fritado hambúrguer nos Estados Unidos, argumentado utilizado pelo próprio deputado federal ao comentar a indicação.

"Sabe por que ele foi fritar hambúrguer lá? Porque eu, como deputado, não tinha como bancá-lo seis meses sem ele trabalhar. Foi aprender o inglês", disse. "Eu frito hambúrguer acho que melhor que ele. Talvez por isso eu seja presidente", acrescentou.

Para Bolsonaro, Eduardo perderá muito mais indo aos Estados Unidos do que ficando no Brasil, uma vez que terá de deixar o mandato parlamentar. Segundo ele, a intenção em indicá-lo é para justamente aproximar o governo brasileiro da gestão do presidente Donald Trump.

"É diferente o tratamento quando você dá um filho para representar você em outra nação. Alguns falam que é para se dar bem. Se eu fosse um mau-caráter, estaria indicando ele para um ministério desses com bilhões no orçamento", disse.

Ele questionou ainda se os críticos à indicação queriam que ele nomeasse seu filho a uma representação diplomática na Venezuela ou em Cuba.

"Alguém quer eu que indique o meu filho para ser embaixador na Venezuela? Ou em Cuba? Ou na Coreia do Norte?", perguntou.

Mais tarde, em cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente voltou a tratar sobre a indicação de Eduardo.

"Como um morador do condomínio, acompanhava, em parte, as atividades deles todos e vi que daquela garotada da [rua] Dona Maria, 71, temos um presidente do BNDES, temos um senador da República [seu filho Flávio Bolsonaro (PSL-RJ)], [que,] por seu meu filho, tem seus problemas potencializados, e temos também, se Deus quiser, um embaixador na potência mais importante do mundo. Estou muito feliz com este momento", disse Bolsonaro, referindo-se a Eduardo.

Ao fim de seu discurso na posse do novo presidente do BNDES, Gustavo Montezano, Bolsonaro pediu para que a família do novo integrante do governo ficasse de pé.

"A família é nosso porto seguro. Quando não se tem família, tudo fica muito mais difícil", afirmou.

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