Coreia do Norte roubou US$ 2 bi por meio de ciberataques, diz ONU

Valor obtido em criptomoedas serviria para financiar programa de mísseis nucleares

Genebra | AFP

A Coreia do Norte roubou US$ 2 bilhões (R$ 7,95 bi) em criptomoedas por meio de ataques cibernéticos para financiar seu programa de mísseis nucleares, de acordo com relatório da ONU ao qual a agência de notícias AFP teve acesso nesta quarta-feira (7).

A ONU está investigando pelo menos 35 casos registrados de Pyongyang nos quais a Coreia do Norte "atacou instituições financeiras e de câmbios de criptomoedas e realizou atividades destinadas a obter moedas estrangeiras". 

"Os ataques maciços contra câmbios de criptomoeda permitem que a Coreia do Norte gere receita de maneiras difíceis de serem rastreadas e sujeitas a menos supervisão e regulamentação do governo do que o setor bancário tradicional", explicou o relatório. 

Imagem divulgada pelo governo da Coreia do Norte mostra lançamento de dois mísseis
Imagem divulgada pelo governo da Coreia do Norte mostra lançamento de dois mísseis - 6.ago.19/KCNA via AFP

A Folha já tinha mostrado em outubro do ano passado que um grupo de hackers ligado ao regime norte-coreano tinha roubado US$ 1,1 bilhão com ataques online, segundo relatório da empresa de cibersegurança FireEye.  

A Coreia do Norte lançou diversos projéteis em menos de duas semanas e ameaçou realizar mais testes, em meio a temores de que esteja fortalecendo seu programa de mísseis. 

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, disse que os últimos mísseis lançados na terça-feira foram um aviso a Washington e Seul devido a seus exercícios militares conjuntos, informou a agência estatal KCNA.

"Atores cibernéticos, muitos deles trabalhando sob a direção do Escritório de Reconhecimento Geral (RGB) —o serviço de inteligência norte-coreano—, levantaram dinheiro para seus programas de armas de destruição em massa", afirma o relatório da ONU, que estimou a receita total em até US$ 2 bilhões. 


PERGUNTAS E RESPOSTAS

Quem é responsável por ciberataques em cada governo? 
Nos EUA, a tarefa é do Ciber Comando. No Irã, o tema está sob responsabilidade do Conselho Supremo do Ciberespaço, embora os ataques sejam realizados por um braço da Guarda Revolucionária

Qual a capacidade de cada país? 
A maior parte dos dados nessa área são sigilosos, mas estimativas apontam que a China teria até 100 mil pessoas dedicadas ao assunto, enquanto o governo americano teria por volta de 55 mil; Rússia, Israel, Irã e Coreia do Norte também são potências na área

Há diferença entre ataques de governos e de criminosos independentes? 
As técnicas são semelhantes, embora o Estado use tecnologia mais avançada, visto que tem mais recursos que um grupo criminoso

Quanto tempo é necessário para fazer um ataque deste tipo? 
Geralmente são necessários semanas ou meses de planejamento, usados para definir a operação e para criar os programas usados na ação

Fonte: M-Trends 2019, Cisco, The New York Times e Kaspersky.


O organismo acrescentou que Pyongyang está violando as sanções da ONU ao comprar bens de luxo e equipamentos de desenvolvimento de armas por meio de "transferências ilegais entre navios". 

"O acesso da Coreia do Norte ao sistema financeiro global facilitou essas e outras sanções, por meio de representantes de bancos e redes que operam em todo o mundo." 

"A Coreia do Norte também usou o ciberespaço para lançar ataques cada vez mais sofisticados, a fim de roubar fundos de instituições financeiras e mudanças na criptomoeda", afirma o relatório.

A investigação do comitê de sanções do Conselho de Segurança da ONU também sublinhou que Pyongyang violou as resoluções ao transferir petróleo e carvão. 

O Conselho de Segurança impôs várias sanções a Pyongyang desde que o país iniciou seus primeiros testes nucleares em 2006.

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