Fragata brasileira saiu do porto de Beirute horas antes da explosão

Nau capitânia da Força-Tarefa Marítima da ONU no país estava a 15 km do porto na hora do incidente

São Paulo

A fragata brasileira Independência deixou o porto de Beirute por volta das 9h desta terça (4), 3h em Brasília, para mais um dia de patrulha regular nas águas ao redor da cidade.

Às 18h30 (12h30 em Brasília), a tripulação testemunhou a gigantesca explosão na capital libanesa de um ponto a cerca de 15 km do porto.

A fragata Independência deixa Natal rumo ao Líbano, em março deste ano
A fragata Independência deixa Natal rumo ao Líbano, em março deste ano - Vitorino Junior - 16.mar.2020/Photopress/Folhapress

"Percebemos uma onda de choque, seguida de um ruído bastante forte. Quando a gente avistou, já havia uma coluna de fumaça de cor rosada. Foi quando a gente percebeu que havia acontecido algo grave", disse à Globonews o contra-almirante Sergio Renato Berna Salgueirinho, que comanda a Independência.

O navio é a nau capitânia da Força-Tarefa Marítima da Unifil (Força Interina das Nações Unidas no Líbano), estabelecida em 2011 com comando brasileiro.

A frota tem outros cinco navios, da Alemanha, da Grécia, da Indonésia, da Turquia e de Bangladesh —esse último, a corveta BNS Bijoy, estava no porto na hora da explosão, e a Unifil afirma que há vários feridos graves sendo atendidos.

A Independência voltou ao porto para tomar ciência dos danos, mas depois voltou à sua patrulha. Salgueirinho é o comandante da Força-Tarefa, que se reporta à ONU.

A Unifil foi criada em 1978, para tentar ajudar a estabilizar os diversos conflitos da guerra civil que corria no Líbano (1975-90). Em 2011, recebeu seu componente marítimo, o primeiro do tipo sob bandeira da ONU.

Boa parte de seu trabalho é evitar o contrabando de armamentos na costa libanesa e verificar a ausência de forças israelenses em águas territoriais do país, com o qual já teve diversos choques militares desde os anos 1970.

A Independência embarca cerca de 200 marinheiros. O Brasil planeja desde o ano passado deixar o comando da Força-Tarefa para focar seus poucos recursos navais no Atlântico Sul. O país contratou a construção de quatro corvetas pesadas, ou fragatas leves, de um consórcio liderado pelos alemães da TKMS.

A indisponibilidade de fragatas, sete hoje na frota brasileira, já levou a Marinha a ter de enviar uma corveta, navio de menor porte, para o Líbano no ano passado.

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