Descrição de chapéu Diplomacia Brasileira

Embaixada chinesa reage a Eduardo Bolsonaro e fala em 'consequências negativas'

Deputado, que preside Comissão de Relações Exteriores, disse que chineses fazem espionagem

Brasília

A embaixada chinesa no Brasil afirmou nesta terça-feira (24) que o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) segue os Estados Unidos para caluniar a China e pediu que a retórica norte-americana seja abandonada para evitar “consequências negativas”.

A declaração, postada em redes sociais, é uma resposta a publicações feitas na segunda-feira (23) pelo deputado, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara.

O deputado Eduardo Bolsonaro no Palácio do Itamaraty, em Brasília - Pedro Ladeira - 20.out.20/Folhapress

No Twitter, Eduardo disse que o programa Clean Network, ao qual o Brasil declarou apoio, pretende proteger seus participantes de invasões e violações a informações particulares. Segundo ele, a iniciativa afasta a tecnologia da China e evita espionagem do país asiático.

“Isso ocorre com repúdio a entidades classificadas como agressivas e inimigas da liberdade, a exemplo do Partido Comunista da China”, completou o deputado, que depois apagou parte das publicações.

Em resposta, a embaixada do país asiático disse que o deputado acusou a China de fazer espionagem cibernética e ressaltou que ele defendeu iniciativa que discrimina a tecnologia de 5G chinesa.

“Tais declarações infundadas não são condignas com o cargo de presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados", afirmou a representação diplomática.

"Prestam-se a seguir os ditames dos EUA no uso abusivo do conceito de segurança nacional para caluniar a China e cercear as atividades de empresas chinesas. Isso é totalmente inaceitável para o lado chinês e manifestamos forte insatisfação e veemente repúdio a esse comportamento”, afirmou.

A embaixada disse ainda que a China é o maior parceiro comercial do Brasil, respondendo por 33% das exportações brasileiras. De acordo com a representação, o deputado tem produzido declarações infames que “solapam a atmosfera amistosa entre os dois países” e prejudicam a imagem do Brasil.

“Instamos essas personalidades a deixar de seguir a retórica da extrema direita norte-americana, cessar as desinformações e calúnias sobre a China e a amizade sino-brasileira e evitar ir longe demais no caminho equivocado tendo em vista os interesses de ambos os povos e a tendência geral da parceria bilateral. Caso contrário, vão arcar com as consequências negativas e carregar a responsabilidade histórica de perturbar a normalidade da parceria China-Brasil”, afirmou.

A embaixada disse que os EUA têm um “histórico indecente” em matéria de segurança de dados. Segundo a representação, políticos norte-americanos interferem na construção da rede 5G em outros países e disseminam mentiras, além de bloquear a atuação da gigante chinesa Huawei.

Neste mês, em um gesto contra a participação da empresa no futuro mercado de 5G, o governo Jair Bolsonaro declarou apoio aos princípios da Clean Network, iniciativa americana sobre segurança nas redes que tem como alvo limitar a presença chinesa na infraestrutura de tecnologia de diversos países.

Segundo interlocutores do setor, os princípios da Clean Network são compromissos que os países prometem seguir na área de segurança de redes. Assim, a adesão do Brasil não significa o banimento da Huawei, mas é uma sinalização relevante de que o governo pretende seguir esse caminho no futuro.

O Departamento de Estado Americano não usa meias palavras para definir os objetivos da iniciativa.

Em seu site, a diplomacia americana diz que a Clean Network é uma abordagem para proteger a privacidade de cidadãos e as informações sensíveis de empresas de "intrusões agressivas de atores malignos, como o Partido Comunista Chinês".

A principal meta dos EUA é banir ou ao menos limitar a participação da empresa chinesa no leilão da frequência no Brasil sob argumento de que a Huawei repassa informações sigilosas para o governo chinês, o que ameaça a segurança de dados do Brasil e a cooperação com os EUA.

O ministro das Comunicações, Fábio Faria (PSD), afirmou nesta terça (24) que redes de 5G são tema de segurança nacional, razão pela qual o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) tem participado das conversas no governo sobre o leilão da nova tecnologia, que deve ser realizado no próximo ano.

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