Descrição de chapéu terrorismo

Estado Islâmico assume atentado que matou ao menos 4 em Viena

Grupo terrorista reivindicou autoria em plataforma de notícias, segundo mídia austríaca; Reino Unido eleva alerta, e República Tcheca, Itália e Bélgica reforçam segurança

Bruxelas

O grupo terrorista Estado Islâmico reivindicou a autoria do atentado terrorista que matou ao menos quatro pessoas e feriu mais de 20 em Viena, na noite de segunda (2). Em sua plataforma Nashir News, o Estado Islâmico afirmou que "um soldado do califado" executou o ataque, segundo a mídia austríaca. O governo austríaco disse que está verificando a declaração do grupo.

​Os tiroteios, que o premiê da Áustria, Sebastian Kurz, chamou de "hediondo ataque terrorista", começaram perto da principal sinagoga da capital austríaca, na região da Seitenstettengasse, e duraram nove minutos, segundo a polícia. Na noite desta terça, sete vítimas ainda corriam risco de morrer.

O agressor, morto pela polícia, usou um fuzil de assalto automático e levava uma pistola, um facão e um cinto de explosivos falso. Identificado como Kujtim T., 20, havia sido condenado a 22 meses de prisão por tentar viajar à Síria em 2018, para se juntar ao Estado Islâmico.

De origem macedônia, mas nascido no sul da Áustria, Kujtim saiu da cadeia em dezembro de 2019 em liberdade condicional, sob condição de ser monitorado por um programa de desradicalização patrocinado pelo Ministério da Justiça austríaco .

A Áustria não foi palco de atentados letais nos últimos anos, mas serviu como base para atividades de grupos extremistas no começo da década. Até 2014, foi um dos países europeus dos quais mais saíram jovens tentando engrossar as fileiras do Estado Islâmico, atrás apenas da Bélgica. ​

Em entrevista nesta terça, o Ministério do Interior da Áustria afirmou que o terrorista enganou seus mentores, fingindo estar ansioso para se reintegrar à sociedade do país. "Não havia sinais de radicalização", afirmou o ministro Karl Nehammer, para quem o sistema falhou. “Liberamos prematuramente alguém que queria destruir o sistema."

A participação de outros atiradores ainda está sendo investigada, mas a polícia disse na noite desta terça que ele pode ter agido sozinho. Foram detidas 14 pessoas para interrogatório.

europa em alerta

Como medida de precaução, o Reino Unido elevou seu nível de ameaça de terrorismo de "substancial" para "grave", o quarto mais alto numa escala de cinco. Segundo a secretária do Interior britânica, Priti Patel, a medida é preventiva e "não se baseia em nenhuma ameaça específica”.

A Inglaterra se prepara para um novo bloqueio contra o coronavírus a partir de quinta, e o governo teme que terroristas possam tentar repetir o roteiro do atentado na Áustria, que aconteceu na noite anterior ao bloqueio, numa região de muitos bares e restaurantes que estava bastante movimentada.

Países que fazem fronteira com a Áustria, como República Tcheca, Alemanha e Itália, também reforçaram a vigilância nas fronteiras, e o governo tcheco anunciou já na noite de segunda que aumentaria a segurança de instituições judaicas, como medida preventiva. O governo italiano convocou uma reunião nesta terça para discutir medidas de segurança contra possíveis atentados.

Na Bélgica, a cidade de Antuérpia, que tem parcela expressiva de moradores judeus, aumentou a segurança em regiões de sinagogas e nas proximidades da estação ferroviária, onde mora a comunidade judaica ultraortodoxa, que tem cerca de 18 mil pessoas.

De forma geral, ataques radicais islâmicos vinham se reduzindo na Europa, segundo a Europol, depois de dois anos de grandes atentados em 2015 e 2016. Em 2019, houve 21 tentativas (contra 24 em 2018 e 33 em 2017), das quais 14 foram evitadas por agências de segurança e 4 falharam, de acordo com a agência policial.

Desde setembro, porém, três atentados deixaram quatro mortos na França. Na noite de segunda, o presidente francês, Emmanuel Macron, publicou uma mensagem na qual diz que a França “compartilha o choque e a dor do povo austríaco".

Macron, que é alvo de protestos em países de maioria muçulmana por defender que o direito de expressão inclui a publicação de caricaturas de Maomé, embora elas ofendam os islâmicos, escreveu: “Esta é a nossa Europa. Nossos inimigos devem saber com quem estão lidando. Não vamos ceder nada a eles”.

Desde a semana passada, a França elevou seu alerta para terrorismo —na quinta, um ataque a faca deixou três mortos em uma igreja católica de Nice, entre eles uma brasileira de 44 anos, mãe de três filhos.

O agressor, um tunisiano de 21 anos recém-chegado ao país, foi baleado e está no hospital, mas, segundo a polícia de Nice, não corre risco de morrer. Ainda não há informações sobre o motivo do crime nem como ele foi organizado.

Nesta terça, a polícia francesa deteve quatro novos suspeitos de terem participado do ataque em Nice. Desde o dia do atentado, já foram detidas dez pessoas; cinco continuam presas.

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