Donald Trump anuncia saída do secretário de Justiça William Barr

Divulgação ocorre instantes após Colégio Eleitoral confirmar a derrota do republicano nas urnas

São Paulo

Donald Trump anunciou nesta segunda-feira (14) a saída de seu secretário de Justiça, William Barr, 70, um apoiador fervoroso do presidente e criticado por corroer a independência do Departamento de Justiça para favorecer a agenda política e pessoal do agora ex-chefe.

Ele fica no cargo até o dia 23, pouco antes do Natal, e será substituído por Jeff Rosen, até então número 2 do departamento. O anúncio da saída, feito via redes sociais, como é praxe com Trump, ocorreu instantes após o Colégio Eleitoral confirmar a vitória do democrata Joe Biden nas urnas.

Nas últimas semanas, a relação entre Barr e o presidente ficou estremecida após o secretário reconhecer não ter havido fraude eleitoral generalizada que justificasse uma reversão da derrota do republicano.

O secretário de Justiça dos EUA, William Barr, e o presidente Donald Trump conversam ao desembarcarem do Air Force One - Mandel Ngan - 1º.set.20/AFP

Ainda assim, o anúncio da saída feito por Trump foi em tom cordial. “Tive uma reunião muito agradável com Bill Barr na Casa Branca. Nosso relacionamento tem sido muito bom, ele tem feito um excelente trabalho! Bill partirá pouco antes do Natal para passar as férias com a família”, escreveu o presidente.

A postagem, no Twitter, foi acompanhada da carta de demissão do secretário, na qual ele agradeceu o encontro com o presidente nesta segunda para "atualizá-lo sobre a análise do departamento de alegações de fraude na eleição de 2020 e como elas continuarão a ser investigadas".

“Estou muito honrado por você ter me chamado para trabalhar em sua administração. Tenho orgulho de ter desempenhado um papel nos muitos sucessos e realizações sem precedentes que você proporcionou ao povo americano”, continua Barr no texto.

Ao contrariar a batalha política, midiática e judicial armada por Trump para tentar reverter o resultado das eleições, o secretário afirmou que tanto seu departamento quanto o de Segurança Interna investigaram as denúncias feitas pela campanha do republicano, mas que não encontraram nenhum indício de fraudes.

Até pouco antes das eleições, o discurso de Barr estava alinhado com o do presidente, e o secretário chegou a levantar uma série de possíveis irregularidades durante entrevista à CNN em setembro.

Na ocasião, disse que o voto pelos correios seriam mais vulneráveis a fraude —outra tese repetida por Trump e descartada por especialistas— e que a China poderia tentar interferir na votação —as agências de inteligência americanas apontaram, no entanto, que era mais provável que a Rússia tentasse algo.

Barr, que também foi secretário de Justiça no governo George Bush, foi visto inicialmente como uma figura estabilizadora na era caótica de Trump, mas essa expectativa caiu por terra quando ele mirou na própria investigação do Departamento de Justiça sobre as acusações de supostos laços entre a campanha do republicano e o governo russo nas eleições de 2016.

Em 9 de novembro, seis dias após a eleição deste ano, ele autorizou procuradores federais a investigarem as acusações de fraude eleitoral antes mesmo que os resultados fossem oficialmente confirmados.

Antes, as regras do Departamento de Justiça estabeleciam que os procuradores deviam esperar o fim do processo de certificação para entrar com ações. Após a divulgação da mudança nas diretrizes, o então diretor responsável pela investigação de crimes eleitorais na pasta, Richard Pilger, pediu demissão.

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