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Corda esticada

Insistência na candidatura de Lula podem prolongar indefinição até poucos dias antes do primeiro turno

O ex-presidente Lula acena para militantes antes de sua prisão, em São Bernardo do Campo (SP) - Marcelo Justo/UOL - 09.abr.2018

Mesmo com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva preso há mais de três meses e após sucessivas derrotas nos tribunais, o PT parece longe de abandonar a estratégia que escolheu para as eleições de outubro.

O partido mantém a disposição de registrar seu líder como candidato à Presidência, ignorando o veto imposto pela Lei da Ficha Limpa a políticos que têm condenação confirmada por um colegiado.  

O plano dos petistas é pedir o registro em 15 de agosto, prazo final estabelecido pela legislação. Ainda não se sabe exatamente como o Tribunal Superior Eleitoral tratará o pedido, mas é certo que o PT recorrerá contra qualquer decisão que implique sua rejeição.

Ao pesquisar a jurisprudência sobre o assunto, a equipe que assessora Lula identificou dezenas de casos de candidatos que puderam disputar após recorrer contra o indeferimento do registro —e vários que conseguiram reverter suas sentenças após a eleição.

Condenado pelo juiz Sergio Moro a 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-presidente teve a sentença reafirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região e perdeu todos os recursos que apresentou a cortes superiores até agora.

Embora as possibilidades de revisão da condenação se afigurem remotas, a aposta dos petistas é que, de recurso em recurso, terão condições de prolongar a indefinição até o ponto em que ficará tarde demais para impedir que a foto de Lula apareça na urna eletrônica quando o eleitor digitar o número do PT.

A tese de que Lula é inocente e só foi condenado porque é perseguido por Moro e pelos procuradores da Lava Jato não encontra acolhida nos tribunais, mas ajuda a manter a militância coesa.

Não foi outro o sentido da extravagante manobra tentada há uma semana pelos três deputados que convenceram o juiz federal Rogério Favreto a determinar a libertação de Lula, ordem que acabou revogada antes de ser cumprida.

Embora o líder petista continue longe das ruas, o episódio serviu para reforçar a pressão de seus aliados sobre o Judiciário, que tende a aumentar se for levada adiante a greve de fome anunciada por militantes de movimentos sociais.

Lula alcançou 30% das preferências na última pesquisa do Datafolha. Se a Justiça barrá-lo, sua força eleitoral parece suficiente para tornar competitivo quem o PT indicar para o seu lugar —os mais cotados são o ex-prefeito Fernando Haddad e o ex-ministro Jaques Wagner.

A lei permite que a substituição ocorra até 17 de setembro, quando faltarão três semanas para o primeiro turno. Talvez seja o suficiente para um petista chegar ao segundo turno. Mais difícil é enxergar o que o eleitor poderá ganhar esperando tanto tempo por uma definição.

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