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Tímidos sinais

Indicadores econômicos sugerem certa melhora; governo precisa contribuir para restaurar confiança

O ministro da Economia, Paulo Guedes - Amanda Perobelli/Reuters

Os temores de uma recaída na recessão econômica, que assombraram o país na virada do primeiro para este segundo semestre, estão afastados. Menos claro, porém, é se os indicadores a apontar alguma melhora bastarão para sustentar uma retomada mais sólida.

O pior do pessimismo se dissipou com a divulgação do crescimento de 0,4% do Produto Interno Bruto no segundo trimestre, o equivalente a 1,6% em termos anualizados. Particularmente favorável foi o desempenho dos investimentos, com alta de 3,2% no período (taxa anualizada de 13,4%).

Entretanto os resultados não serão suficientes para evitar o terceiro ano consecutivo de expansão pífia do PIB, na casa de 1% ou menos —e, para 2020, muito poucos acreditam em algo acima de 2%.

De todo modo, os dados preliminares do terceiro trimestre sugerem continuidade. O varejo se destaca, com desempenho positivo nos últimos meses. A construção civil, setor mais atingido pela crise, também ensaia uma recuperação.

A indústria, no entanto, permanece frágil. Além dos problemas existentes desde antes da recessão, houve o impacto da crise argentina. A queda das exportações do setor chegou a 40% nos oito primeiros meses de 2019, na comparação com o mesmo período de 2018.

Essa perda pode subtrair 0,5 ponto percentual do PIB este ano, segundo estimativas da Fundação Getulio Vargas. Com a dissipação desse choque e a subida gradual da confiança, a produção deve crescer. 

O mercado de trabalho ainda patina. A tendência é de avanço, mas em lentidão exasperadora. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego ficou em 11,8% no trimestre encerrado em agosto, apenas um pouco abaixo dos 12,1% do período correspondente do ano passado.

Celebrou-se a criação de 121,4 mil vagas com carteira assinada em agosto, o melhor resultado para o mês em seis anos. Entretanto contam-se 38,8 milhões de trabalhadores informais, numa população ocupada de 93,6 milhões.

Felizmente, a política monetária se moveu em direção expansionista. A taxa básica de juros, hoje em 5,5%, ainda precisa se refletir mais no custo do crédito, mas já se nota rápido aumento dos financiamentos para pessoas físicas. O setor imobiliário, em particular, tem se beneficiado.

Por fim, há uma agenda de investimentos em setores que passam por melhorias regulatórias, como óleo e gás. O saneamento também pode ser tornar atraente, se prosperar o projeto que abre o setor para investimentos privados. 

Tudo considerado, parece plausível que o país em breve passe a crescer em ritmo superior a 1% ao ano —mesmo porque se trata de uma taxa baixíssima para uma economia ainda deprimida. O PIB do segundo trimestre deste ano, cabe lembrar, ainda se mostrou 4,8% inferior ao dos primeiros três meses de 2014, antes do início da recessão encerrada em 2016.

As alternativas à disposição do governo estão limitadas pela penúria orçamentária. Resta contribuir para o restabelecimento da confiança de empresários e consumidores, o que demanda continuidade das reformas e, com mais otimismo, estabilidade política.

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