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Ivan Castaldi

Não renovação com ginasta obedece a critérios técnicos

Alguns atletas, como Angelo Assumpção, não conseguem sustentar resultados

Ivan Castaldi

Presidente do Esporte Clube Pinheiros

O Esporte Clube Pinheiros, que no último dia 7 de Setembro completou 121 anos de história na capital paulista, tem uma longa e conhecida tradição esportiva. São 12 medalhas olímpicas e inúmeros títulos mundiais —só nos Jogos Pan-Americanos de Lima, em 2019, foram 45 pódios. Os números ajudam a contar o papel que cumprimos na formação de atletas para o Brasil.

Mais do que as vitórias, o que o Pinheiros mais se orgulha é de fazer parte da trajetória de milhares de jovens que tiveram suas vidas transformadas pelo esporte. Nada melhor do que saber que pudemos oferecer essa oportunidade e gerar impacto positivo na vida de tantas pessoas e de suas famílias.

Angelo Assumpção em competição pelo Pinheiros
O ginasta Angelo Assumpção em uma de suas últimas competição pelo Pinheiros; atleta diz que foi demitido do clube após fazer denúncias internas de racismo - Ricardo Bufolin - 9.jun.19/Flickr do Esporte Clube Pinheiros

Alguns atletas que começaram conosco fizeram a transição de carreira e hoje trabalham nas nossas comissões técnicas. Outros deixaram o esporte e atuam em diversas outras carreiras, dentro e fora do clube. Alguns deles também treinam equipes que competem conosco.

O esporte é competição e resultados, mas é também uma poderosa ferramenta de formação de cidadania, de inclusão e de transformação da sociedade. É fácil acreditar nesse poder porque vemos isso acontecer todos os dias.

Ginásio do Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo - Felipe Gabriel - 25.mai.2016/Projetor/Folhapress

Mais de 5.000 atletas, sendo 500 deles militantes, convivem diariamente, em rotinas de treinos e em competições. O desempenho técnico é o que determina a evolução de suas carreiras no esporte e, anualmente, alguns atletas seguem com sua jornada rumo ao sonho olímpico. Já outros não conseguem sustentar seus resultados e potencial.

Foi o que aconteceu com 145 atletas que, em 2019, não tiveram seus contratos renovados. Um deles foi o ginasta Angelo Assumpção, caso de grande repercussão recente na mídia. O ginasta, que depois de treinar e representar o clube por 15 anos, não teve seu contrato renovado para 2020. Por outro lado, outros 111 novos atletas começaram a treinar conosco. Esse ciclo, que para uns significa término, para outros representa o início de sua jornada.

O clube é apenas um ponto de partida ao oferecer uma oportunidade para que jovens concretizem seus sonhos. Seja o sonho olímpico, seja o sonho de uma vida melhor e, por que não, o sonho de uma sociedade melhor para todos.

Tornar um clube de 121 anos —com 38 mil associados, 550 atletas militantes e 1.500 colaboradores— mais inclusivo e diverso é, por um lado, um enorme desafio; mas, por outro, uma grande oportunidade de impacto social exponencial.

O Pinheiros Inclui, programa de inclusão e diversidade; a Linha Ética Pinheiros, o canal de denúncias, acessível por qualquer pessoa, do clube ou fora dele; e o Comitê de Inclusão e Diversidade, composto por representantes de todos os públicos —associados, colaboradores e atletas—, são o tripé de sustentação para essa transformação.

Transformação que está em curso e, certamente, será uma de nossas maiores conquistas. Não só para o Pinheiros, mas para toda a sociedade.

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