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O que a Folha pensa

Controle precário

Em meio à sabotagem federal, SP e outros locais testam limite de restrições

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Apoiadora do presidente Jair Bolsonaro em ato na avenida Paulista, em São Paulo - Mathilde Missioneiro - 1.mai.21/Folhapress

Entre as expectativas de retorno gradual à normalidade e os novos riscos de agravamento da pandemia, mostra-se racional a decisão do governo paulista de prolongar a vigência de restrições a atividades econômicas no estado.

O plano era ampliar, a partir de 1º de junho, o horário-limite de funcionamento dos estabelecimentos comerciais das 21h para as 22h, com aumento de 40% para 60% da ocupação máxima autorizada. Agora, as normas atuais ficarão mantidas até 14 de junho, pelo menos.

Os motivos, infelizmente, são óbvios. Como relatou a área técnica da administração, o número de novos casos de Covid-19 elevou-se em 8,3%, o de internações, 7,8%, ambos na média diária da semana —a despeito do avanço da vacinação.

A taxa de ocupação de UTIs por pacientes da doença em estado grave permanece ao redor de 80%, um patamar preocupante diante da expansão de novas infecções. No país como um todo, a tendência também é de piora: o número de capitais com lotação acima de 90% passou de 7 para 10 (incluindo o Distrito Federal) nesta semana.

A perspectiva de uma terceira onda da epidemia, agravada por novas variantes possivelmente mais agressivas do vírus, é crescentemente apontada por especialistas.

Tal cenário, como se vê, poderia justificar até medidas mais restritivas à circulação de pessoas, em São Paulo ou em regiões onde a escassez de leitos nos hospitais é ainda mais alarmantes. No contexto brasileiro, porém, os desafios vão além da tragédia sanitária.

Com Jair Bolsonaro e seu quarto ministro da Saúde, não apenas inexiste coordenação nacional de esforços contra a Covid-19 como o presidente investe contra o distanciamento social. Ainda que bravateira, essa pregação vil tem o potencial de enfraquecer a adesão a providências mais drásticas.

Para os estratos mais vulneráveis da população, ademais, o impacto econômico da crise torna-se mais dramático ante a impossibilidade de um auxílio emergencial nas dimensões do ano passado.

O estágio da vacinação não é satisfatório —e é quase ocioso apontar a culpa de Bolsonaro, embora a cada dia se conheçam mais detalhes repulsivos. Ao menos a entrega de novas doses neste mês permite crer que haverá o suficiente para vacinar metade da população adulta até o final de junho.

O cronograma oficial, que prevê imunizar praticamente todos os brasileiros maiores de 18 anos até setembro, está sujeito a incertezas. Por ora, resta apoiar as precárias tentativas estaduais e municipais de conter o contágio.

editoriais@grupofolha.com.br

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