Bolsonaro se isola em primeira semana como candidato oficial

Campanha do PSL ao Planalto enfrenta conflitos internos e impasse sobre vice

Talita Fernandes
Brasília

Depois de sair da convenção que formalizou sua candidatura sem definição de seu vice, Jair Bolsonaro passou sua primeira semana como candidato oficial do PSL à Presidência da República sem agendas de campanha.

O único evento do qual o deputado participou foi a palestra “Projeto Brasil” no Clube Militar do Rio, na segunda (23), um dia após a convenção de seu partido.

Rosto do deputado federal Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência
O deputado federal Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência - Adriano Machado/Reuters

Desde então, ele ficou em casa na maior parte do tempo, de onde conversa sobre definições da estrutura de sua campanha com alguns aliados por telefone. Na quarta (25), foi ao Maracanã para assistir ao jogo de seu time, o Palmeiras, contra o Fluminense.

De acordo com pessoas próximas ao deputado, ele se irritou com as disputas no PSL por causa de indefinições da campanha, como a escolha do vice.

A semana foi marcada por divergências de opinião entre pessoas ligadas à antiga estrutura de comando do partido, e ao atual ocupante do cargo, Gustavo Bebianno, homem de confiança de Bolsonaro, conforme revelou o Painel.

O primeiro desconforto veio com a decisão de Bebianno de aconselhar o presidenciável a cancelar sua participação na Cúpula Conservadora das Américas, do qual seria o principal convidado. O evento estava previsto para este semana, em Foz do Iguaçu (PR).

Depois de uma tarde de longas discussões, a organização resolveu na quarta (25), dois dias antes do início do evento, anunciar seu adiamento para dezembro, depois das eleições. “A transferência foi motivada pela posição do presidente em exercício do PSL, Gustavo Bebianno, no sentido de que o evento poderia gerar questionamentos perante a Justiça Eleitoral”, diz nota publicada no site da organização do evento.

O vice-presidente do PSL, Julian Lemos, reconhece que a decisão desagradou alguns quadros do partido, mas nega que haja divergência dentro da sigla. “É feito casamento, vai ter gente que vai gostar, tem que gente que não vai gostar.”

Outro problema que tem permeado a semana do presidenciável é a indefinição sobre quem será seu vice. O PSL busca solução interna depois de ter sofrido a negativa de três legendas para formação de alianças, PR, PRP e PRTB.

Uma pessoa próxima a Bolsonaro disse que ele reclamara do fato de que muitos querem emplacar um candidato a vice.

Sem fazer menções diretas a ninguém, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidenciável, deixou transparecer o desconforto nas redes sociais.

“Determinados assuntos têm que ser resolvidos internamente e divulgados apenas quando há certeza.

Mas a vontade de aparecer fala mais alto e muitos tentam ser o pai da criança. Conselho: faça as coisas por satisfação própria e será recompensado, buscar holofote só atrapalha”, escreveu o parlamentar na sexta (27).

Lemos, contudo, nega que haja qualquer problema com a escolha do vice ou de conflitos. Segundo ele, não faltam candidatos a vice, mas sim uma decisão de Bolsonaro.

Até a convenção de domingo, o nome da advogada Janaína Paschoal, coautora do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, era uma das favoritas para ocupar o posto.

Integrantes da campanha, contudo, veem como muito baixas as chances de ela aceitar a função. Janaína e Bolsonaro, que se conheceram pessoalmente há menos de uma semana, devem ter novo encontro na segunda (30), em SP, para bater o martelo sobre a participação da advogada.

Além de Janaína, há uma lista de possíveis vices que passa por deputados, o astronauta Marcos Pontes e o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança, todos filiados ao PSL.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.