Descrição de chapéu Eleições 2018

Com sucessão de erros da oposição, PT pavimenta eleição tranquila na Bahia

Atual governador, Rui Costa sai em campanha para eleger Fernando Haddad e bancada petista

João Pedro Pitombo
Salvador

Com o rosto vermelho fustigado pelo sol, o governador da Bahia Rui Costa (PT) dá sinais de cansaço, mas mantém o ritmo. Em pouco mais de 40 dias de campanha, visitou 145 cidades baianas. 

Não que o cenário eleitoral lhe seja desfavorável. Pelo contrário. Caminha para uma reeleição tranquila com 61% das intenções de voto contra 11% de seu principal adversário José Ronaldo (DEM). 

Mesmo assim, segue com passo firme para alcançar outros três objetivos: dar a maior votação do país em números absolutos ao presidenciável Fernando Haddad (PT), eleger os dois senadores da chapa e fazer uma grande bancada de deputados. 

Fernando Haddad, candidato de Lula, abraça o Rio São Francisco em Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), com Rui Costa, Paulo Câmara, Wellington Dias, Humberto Costa e Jaques Wagner, neste domingo (23/9). #HaddadPresidente Fotos: Ricardo Stuckert
Fernando Haddad e Rui Costa em campanha em Juazeiro (BA) - Ricardo Stuckert - 5.out.2018/Divulgação

O favoritismo do governador petista foi potencializado nos últimos meses por suas apostas certeiras e pela sucessão de erros e revezes do grupo oposicionista. 

Após três anos e meio de governo, os indicadores não são exatamente favoráveis ao petista. A Bahia tem 1,1 milhão de desempregados e outros 887 mil desalentados. A violência cresceu nos últimos anos e o estado tem o maior número absoluto de mortes violentas —foram 7.110 em 2017. Na educação, a Bahia ocupa última posição no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2017 nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio. Entre 2015 e 2017, nota do ensino médio regrediu de 3,1 para 3,0 frente a uma meta de 4,6. 

Para os indicadores desfavoráveis, Rui Costa tem sempre uma resposta na cartola. Em geral, questiona as metodologias das avaliações que mensuram tanto os indicadores de violência quanto para a educação. Para o desemprego e crescimento econômico claudicante –quedas em 2015, 2016 e avanço de 0,4% em 2017–, empurrou a fatura para governo federal. 

Por outro lado, Costa conseguiu manter as finanças equilibradas, os investimentos em rota ascendente e apostou tudo uma obra símbolo: a construção da segunda linha do metrô de Salvador. “A avaliação do governo tem sido positiva. Em maio a uma crise gigantesca, na qual vários estados atrasaram salários, paralisaram obras e se desarrumaram completamente, nós conseguimos mante o estado de pé”, resume o governador.

Do outro lado, o grupo oposicionista que parecia em rota ascendente até 2016 enfrentou uma sucessão de reveses e cometeu erros em série até a eleição deste ano. O primeiro veio em setembro de 2017, com a descoberta de um bunker com R$ 51 milhões em um apartamento ligado a Geddel Vieira Lima (MDB), um dos principais líderes da oposição e então virtual candidato ao Senado numa chapa que seria liderada pelo prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM). 

Numa tentativa de recompor o grupo e isolar o MDB, o DEM buscou atrair para suas bases partidos que eram aliados do governador Rui Costa, mas não teve sucesso. 

O cenário que já se desenhava difícil tornou-se hercúleo para os oposicionistas quando, na véspera da data limite para a desincompatibilização do cargo, ACM Neto desistiu de ser candidato e anunciou que permaneceria na prefeitura de Salvador. 

A decisão fez o grupo oposicionista implodir –prefeitos debandaram para a base do governador, chapas proporcionais foram desfeitas e os candidatos ao Senado da chapa Jutahy Júnior (PSDB) e Irmão Lázaro (PSC) chegaram à campanha disputando entre si. 

Liderando a chapa, José Ronaldo, candidato ao governo pelo DEM, tornou-se uma espécie de Geraldo Alckmin da Bahia. Assim como ex-governador paulista, é um fenômeno eleitoral em seu próprio reduto, mas pouco empolga o eleitorado que não o conhece. Com fala mansa, voz impostada e pouco carisma, o ex-prefeito de Feira de Santana tentou encarnar um discurso crítico em relação ao PT e ensaiou até uma aproximação com o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

Mas a maior parte de seu grupo político, relatam os próprios aliados, está mais focada em garantir a renovação de seus respectivos mandatos, numa espécie de trabalho de contenção de danos. 

Para completar a ciranda dos reveses, entra o fator Michel Temer (MDB), presidente ao qual PSDB e DEM aliaram-se após o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Aquele que representou o retorno da então oposição ao centro do poder político transformou-se num aliado tóxico, cujo governo é reprovado por 92% dos baianos. 

Tamanha rejeição fará com que um tabu de 60 anos seja rompido: desde 1958, todos os governadores eleitos na Bahia eram aliados do então presidente em exercício. Este ano, na oposição ao presidente, o PT segue na contramão da história e pavimenta mais quatro anos à frente do quarto maior colégio eleitoral do país.

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