Descrição de chapéu Eleições 2018

Novo comemora estreia e avalia apoio a Bolsonaro

Performance mais expressiva foi de candidato que apoiou capitão reformado

Romeu zema dá entrevista a jornalistas em seção eleitoral
O candidato ao governo de Minas pelo Novo, Romeu Zema, no domingo (7) - William Álvaro/ Divulgação
Joana Cunha
São Paulo

Com apenas 2,5% dos votos em seu candidato a presidente João Amoêdo, o estreante partido Novo avalia que saiu vitorioso das urnas neste domingo (7). 

A legenda, que tem só três anos de registro, alcançou 8 deputados federais, pouco abaixo de veteranos como o PC do B (9), PTB (10) e PSOL (10). 

Nas assembleias legislativas foram 11 deputados estaduais e um distrital. 

Com este formato, a cúpula do Novo se reuniu nesta segunda-feira (8) para estudar se apoiará a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno.

“Vamos nos debruçar sobre as ideias do programa do Bolsonaro e sua capacidade de execução para entender o quanto nós apoiamos de fato ou não”, disse Moisés Jardim, presidente do Novo.

Pelo menos um consenso já existe dentro da sigla que se fundou como representante da “nova direita”: o de que “seja por tudo o que o PT fez ou promete fazer”, o Novo “não consegue admitir voto no PT”.

A resolução deve ser anunciada nesta terça-feira (9).

Na reunião, o partido também discutiria como lidar com eventuais convites para cargos que seus filiados possam vir a receber em um governo de Bolsonaro. 

“Nossa decisão [de manifestar o apoio ao capitão reformado] não vai depender desse tipo de promessa de cargo. Não vamos fazer isso olhando cargo ou algum tipo de participação institucional no governo”, disse Jardim.

Para o presidente do partido, o desempenho obtido nas urnas foi um sucesso. 

A despeito das adversidades enfrentadas, como o pouco tempo de televisão e a impossibilidade de participar de debates, Amoêdo superou a votação de nomes tradicionais no meio político como Marina Silva (Rede), Henrique Meirelles (MDB) e Alvaro Dias (Pode). 

Os 2,5% que o presidenciável do Novo atingiu ficaram longe da meta inicial de 5%, mas o potencial foi prejudicado pelo voto útil em Bolsonaro, avalia Jardim, que diagnosticou uma perda de tração para Amoêdo após o episódio da facada em Juiz de Fora (MG).

Alguns apoiadores do Novo lamentam que a performance mais expressiva obtida pela sigla partiu justamente de um candidato que fez o jogo da “velha política”, que o partido diz rejeitar. 
Romeu Zema, candidato ao governo de Minas Gerais, surpreendeu com cerca de 43% dos votos válidos, tirando da disputa o atual governador Fernando Pimentel (PT) e ultrapassando Antonio Anastasia (PSDB), que ficou com pouco mais de 29%. 

A disparada aconteceu depois que Zema usou suas considerações finais no debate da Globo da semana passada para pedir votos para Bolsonaro, comparando-o a Amoêdo. Foi recriminado pelo partido, que cogitou expulsá-lo mas acabou tolerando o desaforo. 

No domingo, Zema apareceu para votar vestido com uma camiseta da seleção brasileira, emulando eleitores de Bolsonaro. 

A outra rasteira veio do Rio de Janeiro, terra natal de Amoêdo, onde o candidato do partido ao governo, Marcelo Trindade, fez pouco mais de 1%, apesar dos esforços de Bernardinho, ex-técnico da seleção de vôlei que se transformou em uma espécie de embaixador do partido no estado.

“O Rio de Janeiro tem se mostrado um estado difícil, mas não posso dizer que foi decepção. Tivemos um deputado federal eleito lá e dois estaduais. Ele entrou tarde, precisávamos ter definido esse nome um pouco mais cedo”, diz Jardim, que já pensa nos nomes para disputar a prefeitura em 2020.

No balanço do Novo, o destaque foi Marcel Van Hattem, o mais votado deputado federal no Rio Grande do Sul, mas a maior conquista foi ter deixado claro que o partido tem “uma maneira de competir”, segundo Jardim.

“Nós conseguimos formar a nossa bancada e esperamos que ela consiga formar suas alianças, negociar dentro do Congresso e ser uma referência”, afirma. 

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