Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

MDB não será base do governo, diz Jucá após encontro com Bolsonaro

Ex-senador e dirigente nacional do partido diz que presidente aboliu termo 'velha política'

Gustavo Uribe Thais Bilenky
Brasília

No encontro entre os símbolos das chamadas nova e velha política, o rótulo foi desfeito, depois de criar uma crise entre governo e Congresso.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o ex-senador Romero Jucá (MDB) se sentaram frente a frente e discutiram a questão.

“Ele terminou concordando que o que vale é a boa política e, portanto, tachar de velha ou nova é um desserviço”, disse Jucá, presidente nacional do MDB. “Ele falou que entende que o que existe agora é a boa política.”

O ex-senador Romero Jucá, presidente nacional do MDB
O ex-senador Romero Jucá, presidente nacional do MDB - Pedro Ladeira - 11.mar.2019/Folhapress

A reunião entre os dois fechou a rodada de conversas de Bolsonaro com dirigentes partidários nesta quinta-feira (5) no Palácio do Planalto. Antes ele havia se encontrado com os presidentes do PRB, PSD, PSDB, DEM e PP.

O rótulo de velha política empregado por Bolsonaro sobre a forma tradicional de negociação irritou deputados e senadores e contaminou o ambiente contra o governo no Congresso. Bolsonaro agora tenta recomeçar a relação com o Legislativo.

Articulador político de destaque desde o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), sempre compondo com o governo da vez, Jucá afirmou que “essa questão de ser ou não ser base é uma questão passada”.

Segundo ele, “a discussão agora é temática, é por projeto, é por lei, é por dispositivos, é por posições que possam melhorar o povo brasileiro”.

“O MDB não quer ser base, o MDB quer ter uma agenda, nós queremos mais, queremos ter o resultado do trabalho conjunto entre MDB e o governo”, disse.

“Ser base é ficar numa posição de lado, na minha avaliação, estamos um passo além.”


Bolsonaro atacou o MDB de Jucá e Temer desde que começou a trabalhar para se viabilizar candidato à Presidência, chamando-os de corruptos. “Temer já roubou muita coisa aqui, mas o meu discurso não vai roubar, não”, afirmou, em fevereiro de 2018.

Em abril de 2019, a abordagem foi amistosa.

“O presidente foi extremamente simpático”, afirmou Jucá. “Tivemos uma conversa verdadeira. Dissemos aquilo que entendíamos que devíamos falar. Claro, com respeito.”

O emedebista lembrou que a reforma da Previdência “foi um tema trazido pelo MDB no governo Michel Temer” e, por isso, continuará sendo defendido pelo partido.

“Somos favoráveis, mas questões específicas serão discutidas”, afirmou. 

“O Benefício de Prestação Continuada não concordamos da forma que está. A aposentadoria rural não concordamos da forma que está. A questão dos professores queremos discutir. A questão da capitalização, o modelo não está claro. Não é possível pedir capitalização de quem ganha um salário mínimo e meio, dois salários mínimos. Isso deve ser discutido com mais profundidade.”

O MDB não discutiu fechamento de questão a favor da reforma (o que obriga seus congressistas a votarem a favor), porque dependerá do texto final e do debate, disse Jucá.

O ex-senador afirmou que ainda dá tempo de o governo arrumar sua articulação.

“O governo não pode ser condenado por cometer equívocos, mas tem que ter humildade e rapidez para corrigi-los. Eu tenho certeza de que o governo quer fazer isso para ter um bom resultado”, disse. “É um processo de aprendizagem, de construção, que está em andamento.”

Jucá encerrou dizendo que o partido “está disposto a conversar em qualquer fórum, em um conselho, em mesa redonda, no sofá do presidente. O nosso compromisso é com o Brasil”.

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