Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

'O caminho é a política', diz Flávio Bolsonaro no Senado ao defender o pai

Senadores criticaram presidente por mensagem sobre conchavos; filho prega diálogo

Daniel Carvalho
Brasília

Depois de o presidente Jair Bolsonaro (PSL) compartilhar mensagem sobre o Brasil ser "ingovernável" por causa de conchavos e de afirmar que o grande problema do país é a classe política, senadores reagiram com críticas ao governo nesta terça-feira (21).

Já o filho mais velho do presidente, Flávio, que também é senador, defendeu o pai e afirmou que a política é o caminho para estancar a crise entre o governo e o Congresso.

"Obviamente o caminho está na política, não há outro. O caminho é a política, o caminho é o diálogo", disse o senador.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL), que foi defendido pelo filho mais velho, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), na tribuna do Senado
O presidente Jair Bolsonaro (PSL), que foi defendido pelo filho mais velho, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), na tribuna do Senado - Sergio Lima - 28.nov.2018/AFP

Diversos parlamentares foram à tribuna reclamar de Bolsonaro e cobrar que ele aponte quem são os congressistas que o procuram para assuntos não-republicanos.

"Fui questionado sobre conchavos no Congresso Nacional. São palavras fortes não utilizadas por qualquer um, mas pela maior autoridade brasileira. Quando o presidente da República fala, elas não ficam entre quatro paredes, no Palácio do Planalto. Essas palavras ecoam no Brasil todo e ecoam internacionalmente", disse o senador Omar Aziz (PSD-AM).

Aziz apresentou requerimento para que o governo identifique os políticos que estão atrapalhando o Executivo.

"Não dá para jogar as palavras ao vento e ficar por isso mesmo. Se tem alguém, presidente, o chantageando, o senhor tem a obrigação de dar nome aos partidos e às pessoas que estão chantageando não o presidente Bolsonaro, mas o Brasil", disse Aziz.

"Querer colocar aqui, no Senado Federal, ou na Câmara a crise que foi gestada lá, no Palácio do Planalto, absolutamente, nós não vamos admitir isso", afirmou o senador Otto Alencar (PSD-BA).

"Nenhum aqui é culpado pela exoneração do ex-ministro da Educação, o [Ricardo] Vélez, pela crise do [Gustavo] Bebianno, pelos problemas que aconteceram do [escritor] Olavo de Carvalho com o [ministro] Santos Cruz, com o Exército brigando com o Olavo de Carvalho. Ninguém é culpado por isso. A tormenta que tem acontecido no Palácio do Planalto é muito gestada no próprio Palácio do Planalto ou por seus assessores", seguiu o senador.

Alencar, que listou 14 recuos do presidente e citou um a um em plenário, também disse que o Congresso não vai temer as manifestações que estão sendo chamadas por aliados de Bolsonaro para este domingo (26).

"Não tememos, absolutamente, nenhum tipo de ameaça, nem de rua, nem do Congresso Nacional, porque todos aqui chegaram por coragem, por altivez, por fibra e decisão de ser Senador da República para defender os interesses do Brasil", afirmou.

O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), disse que "não é com acusações sem prova, sem legitimidade, com convivências muitas vezes agressivas dentro do Congresso e nas ruas brasileiras que nós vamos solucionar os problemas que o Brasil precisa enfrentar".

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) disse que o sistema presidencialista impõe que o chefe de governo seja uma figura pacificadora, que unifique o Brasil.

"Em cinco meses, o governo cultivou crises, recuos, demonizou a imprensa, deu vexames internacionais e demonstrou inaptidão para o cargo", afirmou Renan.

"A lógica da Presidência não pode e não deve ser o confronto entre os Poderes. Governos não são feitos para entrarem em tempestades e fortes tormentas. Governos são feitos para voarem em céu de brigadeiro, com previsibilidade, e onde se enxergue o horizonte", disse o ex-presidente do Senado.

A senadora Rose de Freitas (Pode-ES) disse que o governo Bolsonaro "não deixa o Congresso trabalhar" e "coloca líderes totalmente incompetentes".

"Quem estabeleceu o confronto nesta Casa? Quem chamou as pessoas aos desafios mais idiotas que já vi na minha vida? Não podemos continuar assim", disse a senadora, que também fez referência ao convite para manifestações de domingo.

"Brigar todo mundo sabe. Não brinque com a rua. O último que fez isso, convocando a rua, não deu muito certo", afirmou, em uma alusão velada ao ex-presidente Fernando Collor, que convocou um ato em seu apoio, mas teve efeito contrário.

Rose também cobrou um posicionamento do presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que costuma se esquivar de temas polêmicos.

"O senhor tem que atravessar a rua e dizer o nível de insatisfação que estamos vivendo aqui. E não é por troca de cargos. Exerça a presidência do Congresso Nacional. Sente na frente do presidente da República e diga que o que o senhor está presidindo é o Congresso Nacional e precisa de paz para trabalhar", disse a senadora.

A presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), Simone Tebet (MDB-MS), também criticou Bolsonaro.

"O nosso tempo é o da democracia e isso exige diálogo. Nos ajude a ajudá-lo a governar o Brasil", disse Simone.

Além de Flávio, também saiu em defesa de Bolsonaro o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE). Ele foi à tribuna para dizer que reafirma o compromisso do governo que ele representa com a democracia.

"Estarei levando e elevando a minha voz todas as vezes em que queiram agredir a democracia ou o regime democrático", afirmou o líder do governo, que pediu mais compreensão com Bolsonaro.

"Eu queria pedir um pouco mais de compreensão. E registro que a oposição nesta Casa tem sido parceira, sim, dos temas de interesse para o Brasil. Como líder do governo, tenho reconhecido que as lideranças dos partidos de oposição em muitos momentos não têm faltado com a compreensão, o apoio e a ajuda para que as matérias possam ser tramitadas aqui, no Senado Federal", disse Bezerra Coelho.

Flávio disse que o governo Bolsonaro está "quebrando muitos paradigmas" e que "enfrenta resistências naturais, mudando formas de diálogo historicamente construídas".

"Minha palavra é no sentido de falar que nunca recebi aqui no Senado nada que seja não republicano", disse Flávio.

"Posso falar da vontade construtiva de grande parte de senadores e de que, pelo menos, nunca recebi de ninguém aqui um pedido que não fosse publicável ou que não fosse republicano", insistiu o filho mais velho do presidente da República.

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